Daquelas cheias de slides com senhoras de bom coração?
Diriam, bolas … as mulheres são assim: sãs, lutadoras, belas, sábias, compreensivas, boas esposas e mães e ainda lhes sobra vagar?
Mesmo quem não gosta de ladainhas, como é o meu caso, encolheria os ombros … ou, quem sabe, em dia de menor inspiração, quase se sentisse tentada a mandar a alguém, apenas como forma de dizer «olá, estou aqui».
E que tal uma ladainha deste tipo «Que faz uma mulher em trinta dias»?:
– Vai trabalhar ao mesmo tempo que paga as contas, somando um a um o Euro do subsídio de férias que recebeu?
– Não se esquece que há o empréstimo da casa que não pode ficar sem saldar?
– Lembra-se que é o mês da inspecção e que tem que ir à revisão do carro com gastos acrescidos para pagar?
– Visita o namorado, o amor, o amante, mesmo sabendo que coisa fácil poderá não ser, pois exige árdua preparação?
– Acaba o artigo que tem para acabar, ainda antes de o ir visitar, como se fora o prémio dos céus que a si própria se dá, e inventa tempo para pensar como se vestirá, porque um acontecimento de tal natureza merece fatos de ocasião?
– Presta as provas que tinha para fazer e trata dos sacos de filhos que havia que preparar?
– Relembra a nova escola que há que decidir e vai às reuniões, assumindo-se como encarregado de educação?
– Mantém os escritos em dia, as cartas respondidas e as amigas e amigos com os mimos devidos a quem lhes quer bem?
– Sorri, mas não em demasia, porque chorar, nem pensar: é assunto praticado debaixo da almofada, porque com crianças, dizem, há que o evitar?
– Guarda saldo no telemóvel para não faltar para os cumprimentos de mãe ou para algum trabalho que ficou, sem querer, por acabar?
– Segreda aquilo que gostaria de mostrar, e mostra o que não acharia importante mostrar?
– Pensa no mar como sossego e a partir dele histórias ainda consegue tecer?
Faz tudo isso e muito mais do que está nesta “ladainha”, apenas uma daquelas que pode ser reencaminhada, porque das mulheres tudo se espera, menos que vá alucinar; nem ser inteligente de mais, porque pode parecer “iluminada” e isso cai mal; não refilar nem ser acertiva em demasia, pois incomoda qualquer um, e, principalmente, a elas se exige que tudo guardem no mais íntimo do seu ser, porque há coisas de que “não se pode falar”, que não se podem dizer, muito menos sem ser no recato e intimidade do lar.
Que achariam leitores?
Mas não, não é uma ladainha que vos quero deixar, porque delas me destaco veementemente e estamos todos fartos, mas um Manisfesto ou Grito feminista:
1 – Descarreguem o fardo, porque quem pariu certamente não concebeu só, e ser mãe é uma alegria e não apenas uma “obrigação”;
2 – Façam apenas os deveres que vos cabem, mas com toda a convicção;
3 – Amem e desejem, sim, e sem vergonha, desde que seja por vossa livre vontade e convicção e quem com isso se atrapalhar é porque não vos soube querer ou mesmo entender;
4 – Calem apenas o que não vos aprouver falar;
5 – Não se preocupem em agradar, senão porque vos faz bem;
6 – Gritem ou chorem, pois faz parte de viver;
7 – Não temam a inteligência, mas antes cerrem fileiras à arrogância e à estupidez;
8 – Lutem por tudo que vos assume como livres e iguais;
9 – Inventem histórias, também, porque isso faz sonhar.
E vão ver o mar, levando o MP4 com a gravação da Joana Bagulho, quando o cansaço vos visitar … porque a vida é só uma e há que a pegar bem nas mãos!
















