Publicado por: Filomena Barata | Novembro 11, 2014

Independência de Angola, Filomena Barata (a partir de 2011)

  • Tomás Gavino Coelho Parabéns Angola, meu chão natal! Um país jovem construído em volta de nações e reinos seculares cujas sabedorias próprias ainda não se perderam. E é essa amálgama de idiossincrasias individuais que faz de Angola um país tão belo e diverso. Saibam os vindouros nunca delas se esquecerem. Parabéns, Angola!

 

Porque hoje é dia da Independência de Angola, vamos aqui deixar um conjunto de testemunhos dos aderentes do nosso Grupo, esperando que os mesmos venham a ser enriquecidos com a cobertura fotográfica das comemorações em Angola.

Queria testemunhar que neste mesmo dia 11 de Novembro de 1975 desmbarquei em Portugal, que mal conhecia, pois apenas de férias aqui tinha estado, através de uma “ponte aérea” criada para o efeito, sem ter conhecimento dos meus pais durante um mês, pois haviam sido evacuados de Malanje para o Sumbe, sem que houvesse comunicações.
Comigo vinha a mágoa de deixar Angola, apenas um pouco refeita pelo facto de ter encontrado os meus pais vivos, “sãos e salvos” em Portugal, pois quis o destino que, no mesmo dia, tivessem chegado a este país. Não obstante, nunca deixei que a mágoa ou a saudade e, muito menos a revolta, se sobrepusessem à convicção que um país que desejava a sua independência o pudesse deixar de ser. Por esse motivo talvez não entenda as pessoas a quem a mágoa e o rancor a tudo se sobreponham e, por isso, aqui estou e partilhei com «O Meu Testemunho». Estamos juntos.
http://www.bubok.pt/livros/4585/Folhas-Soltas–O-meu-testemunho

Da tua bandeira farei uma flor. Fotografia de Filomena Barata
Angola em reconstrução, Alípio Mendes

Sei que nasci em Angola, numa família maioritariamente constituída por Despachantes Oficiais, que já aí vivia há três gerações.
Ao meu pai ouvira falar do seu envolvimento, julgo que distanciado, mas atento, com o que defendia Humberto Delgado.
Mas tive quatro pessoas que me marcarão toda a vida, pelas longas reflexões sobre a situação que se vivia no país que me viu nascer, Angola, então colónia portuguesa e que me ajudaram a moldar a mentalidade e o pensamento político:
Bicas Mira, com quem partilhava a inquietude ou mesmo a irreverência, ainda sem saber bem de que forma a canalizar.
Aloisio Cruz, amigo de bairro e colega de filosofia, mestiço de cor e de todas as cores no coração. Ingenuamente ainda e sem que um pensamento político nos estruturasse de facto, tecíamos considerações sobre a igualdade e a desigualdade, sobre o sentido das coisas e do viver.
Contudo, foi com ele que fui gritar no dia 25 de Abril pela Liberdade, junto ao Governo Distrital de Malanje, cidade onde vivíamos.

O António Martinho que tanto gostaria de reencontrar um dia e que me ensinou o milagre da fotografia revelada com líquidos e que produziam milagrosamente imagens, e que, porque em Portugal já acompanhava o “Movimento do Rato”, me ensinou o que era a seara Nova, o Jornal do Funchal, de que curiosamente e pese todas as dificuldades da descolonização, ainda consegui trazer alguns exemplares (poucos) para Portugal.
Com ele ouvi, pela primeira vez, «O soldaninho não volta … do outro lado do mar» que muito o comovia, pois aos 20 anos, por ter reprovado no Técnico, porque as suas actividades políticas o haviam desviado do estudo, à “guerra colonial” havia ido parar.

O António Manuel Natividade Coelho também estudante do IST e que, pelos mesmos motivos, à tropa não pôde fugir, pese todas as tentativas familiares de disso o isentarem.
Sofreu as agruras de uma zona longínqua e um dos palcos mais ferozes da guerra em Angola: Zala. Ainda conservo comigo alguns slides desse “acampamento militar”, onde jovens soldados elouqueceram do que viram, passeando-se alguns com camaleões presos por um cordel.
Com ele pintei, para o cinema de Malanje, uma faixa do Primeiro Congresso do MPLA nessa cidade.
E assim me tornei eu simpatizante desse movimento, mais particularmente da OMA embora me tenha desiludido numa fase posterior com o célebre julgamento popular de Luanda, entre outras coisas terríveis que a guerra sempre traz.
Dessa altura me ficaram os poucos objectos que consegui trazer para Portugal e que ainda hoje conservo comigo (na fotografia).
Mas quem me deu a notícia do golpe de Estado, rua fora apitando no seu “Mini” foi a Lurdes Alves, ainda hoje minha amiga, e que assim dava voz pela cidade de um acontecimento cujos contornos não conhecíamos, mas que muitos de nós acreditámos poder significar uma mudança desejada.

Não falarei das desilusões, da monstruosa guerra civil que vi rebentar em Angola, de algum espírito de vingança, compreensível mas atemorizador, a que se assistiu contra os Portugueses, “culpados” ou não da situação vigente até aí!
A História disso se encarregará, não este testemunho.
Sei que durante muitos anos senti a estranheza de afinal não pertencer a país nenhum, pois o da minha origem tive que abandonar, com o agravamento da guerra.
Esse que, em período colonial até os seus maltratava, chamando-lhe «portugueses de segunda», como ainda constara no BI do meu pai.
Em Portugal fui depois “retornada”, coisa que nunca entendi o porquê da designação, pois aqui a nenhum lugar tinha retornado, porque apenas de férias o conhecera. Ainda hoje me ofende tal epíteto.

Hoje sei que não sou “branca de segunda”, como chamava o Regime Fascista aos brancos nascidos nas colónias: mas sou de Angola e de Portugual, em qualquer lugar do Mundo.

Acredito na DEMOCRACIA que Abril instalou e creio que o meu lugar é o Atlântico, ou num Templo onde estão de todas as cores e credos os que acreditam que é possível existir a IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE.

Hoje, ainda no rescaldo de ter ouvido ontem quatro testemunhos extraordinários e comoventes sobre o que tinha representado o 25 de Abril, sei que pertenço a esse lugar onde me reconhecem também.

Independência da minha, nossa Angola!!
Terra de Ngola Kiluange, Nzinga Mbamdi, Mandume e tantos outros que deram também o litro por ela.
É um dia para reflexões. A liberdade foi conquistada a custa de muito sangue derramado, mas se havia esquecido do dia de amanhã. Ainda hoje são visíveis as sentidas expressões como: eu tenho a 4 quarta classe do colono. Ali naquela esquina havia a loja do senhor Afonso, não faltava nada havia de tudo um pouco, até o fiado (Kilapi hoje) dava-se. Ali vivia o Senhor Lemos dentista, sem esquecer o Senhor Moutinho da marcenaria onde trabalhou o meu pai… (todo este cenário passou-se nas cidades, assim como nos nossos kimbos) onde o comércio e outros serviços, fundamentalmente estiveram presentes.
O inteligente aprende com os seus erros, porém o sábio, com os erros dos outros.
Viva Angola, viva Portugal e que Deus ilumine a mente dos nossos governantes e dê muita, mas muita paciência aos nossos povos. Tenho fé que o amanhã sorrirá.
Deus abençoe!!!!!

Salome Campos Obrigado Garpar ! Muito bonito aquilo que escreveste ! Faço minhas as tuas palavras ” Viva Angola, viva Portugal e que Deus ilumine a mente dos nossos governantes e dê muita, mas muita paciência aos nossos povos. Tenho fé que o amanhã sorrirá.
Deus abençoe!!!!! ” …Um Bom S.Martinho para todos ! Bjs ♥

Alvaro Silva Lembro-me como se fosse hoje. Assisti a proclamação da independência, pela voz do Dr. António Agostinho Neto, no Campo do Cubaza no Bairro Popular com imagens das primeiras emissões da TPA(Televisão Pública de Angola).Nesse dia as pessoas estavam receosas, já que ao longo da noite e de todo o dia se ouviam o ribombar dos canhões de guerra, em Kifangondo, onde se travava um intenso combate contra as forças mercenárias, o exercito de Mobutu e o exército do Coronel Santos e Castro que invadiram Angola entrando pelo Norte e foram travados precisamente em Kifangondo.Viveram-se momentos de grande tensão, pois estavamos todos preparados para a guerra e para a Defesa de Luanda, baluarte da nossa recém proclamada soberania… Estamos Juntos.

É grande a saudade de minha terra e, quantas vezes deitei minha cabeça no travesseiro para abafar o choro da saudade. Hoje, tantos anos passados ainda me alimento das boas recordações da minha infância e, os momentos tristes procuro apaga-los de minha mente. Desejo do coração que a minha querida Angola tenha paz, muita paz e prosperidade. PARABÉNS ANGOLA.

Parabéns, minha querida e única Terra.ANGOLAANGOLA continua de cor
… na minha cabeça,
colorida com a força com que me baptizou
na saída ao encontro Dela.
ANGOLA continua retida dentro da minha expansão
pelo mundo fora,
eu que nunca consegui sair de dentro Dela.
ANGOLA continua despida,
pois as cobertas que encontrei pelo mundo, até agora,
não cobriram a beleza
da Minha Terra querida.
Não há como Ela.ANGOLA menina,
desde cedo cortejada,
mas nunca comprometida.
ANGOLA, Senhora,
desejada.
ANGOLA bendita,
sublimada.
ANGOLA abençoada
por Nossa Senhora da Muxima.
ANGOLA, Sina
Terra Minha.O olhar reflecte o desejo,
do encontro longe da vista.
Mas, Hoje, Só,
apenas o Coração resiste
contra a ausência.
Não é desistência,
é Conquista!
da serenidade,
oferta de saudade à Terra Amada.José Jacinto

Quando eu voltar…Se um dia voltar…
posso abrir as gavetas
escancarar as portas
… deixar o vento passar
e…
no bater das janelas
abertas de par em par
festejar nas coisas belas
a alegria do regressar.Se um dia voltar…de: aileda/adeliavazFOTO: “Espinheira” (Deserto – Tombwa – Namibe – Angola)

Avocação

Aos meus 12 camaradas de armas, que tombaram na noite de 10 para 11 de Novembro de 1975, no Morro do Tongo, Zona da Quibala (Centro de Angola), durante um bombardeamento da artilharia do Exército da África do Sul

Ao entardecer
ecoaram armas mortíferas.

Sobre a planície que se queria verde
pairou um sol mais vermelho do que o habitual.

A noite chegou
Para abafar o lamento
nas bocas destroçadas
dos guerreiros moribundos

Num fundo de embondeiros

plúmbeo mausoléu
em saudação ao espírito dos mártires purpúreos
de tão espinhosa caminhada

junta-se sangue derramado.
De uma grande geração sofrida sofredora
Que alimentou a chama ardente da esperança.

Manuel C. Amor
Horta 2011

Margarida Rosa Morais

Cheguei a Portugal, onde nunca tinha estado, umas semanas antes da Independência. Triste por ter deixado a minha Terra. Uns meses antes quase perdi o meu pai, bem perto de minha casa, num daqueles ataques que os portugueses sofreram e que alguém como Alto Comissário dizia que era tudo boato. Mas a saudade persistiu e eu só pedia a Deus que me concedesse a graça de pisar solo angolano, nem que tivesse que descer do avião e ter voltar a subir! Numa das viagens Moçambique/Portugal, tive a oportunidade de pisar esse solo que um dia me viu partir com lágrimas nos olhos. Não gosto muito de falar sobre essa época, por me trazer más recordações. Vivi dias de muita angústia, que evito lembrar. Mas aqui fica o meu testemunho. Envio ao povo angolano aquele kandando bem patriótico, desejando que os governantes pensem também um pouco na modernização a parte mais alta da cidade, naqueles bairros que até agora têm estado esquecidos. Feliz dia da Independência!

11 de Novembro, dia da Independência de Angola.
Nasci na freguesia da Sé, concelho do Luso (Luena), província do Moxico.
Poema a Angola, País rico em beleza, cultura…

Angola país irmão,
Portugal país amigo,
trago-vos no coração,
por isso venham comigo.

Não importa a tua cor,
muito menos a distância,
vamos viver em paz e amor
em qualquer circunstância.

Por portugueses descoberta,
por eles desenvolvida,
lanço aqui um alerta,
para não ser esquecida.

Eram navegadores,
como Diogo Cão,
não foram invasores,
são um país cristão.

Como gosto de ouvir,
as tuas belas canções,
fazem tantas vezes reflectir
as minhas emoções.
(…)

Poema retirado do Livro “joão oliveira poemas” 2009
joão oliveira, Chãs de Tavares, poderia ser em Angola, 05-03-2007

11 de Novembro, dia da Independência de Angola.<br />
Nasci na freguesia da Sé, concelho do Luso (Luena), província do Moxico.<br />
Poema a Angola, País rico em beleza, cultura...</p>
<p>Angola país irmão,<br />
Portugal país amigo,<br />
trago-vos no coração,<br />
por isso venham comigo.</p>
<p>Não importa a tua cor,<br />
muito menos a distância,<br />
vamos viver em paz e amor<br />
em qualquer circunstância.</p>
<p>Por portugueses descoberta,<br />
por eles desenvolvida,<br />
lanço aqui um alerta,<br />
para não ser esquecida.</p>
<p>Eram navegadores,<br />
como Diogo Cão,<br />
não foram invasores,<br />
são um país cristão.</p>
<p>Como gosto de ouvir,<br />
as tuas belas canções,<br />
fazem tantas vezes reflectir<br />
as minhas emoções.<br />
(...)</p>
<p>Poema retirado do Livro "joão oliveira poemas" 2009<br />
joão oliveira, Chãs de Tavares, poderia ser em Angola, 05-03-2007

Publicado por: Filomena Barata | Novembro 10, 2014

Por um país a nascer, Filomena Barata

Elas eram as heroínas de um país a nascer.
Lavravam, criavam, vendiam, garantiam a família quando os Homens estavam na guerra, quem sabe batalhando bem mais do que eles, para que os filhos pudessem comer.
Era assim, horas e horas a trabalhar, parecendo que o dia não tinha fim!
Deserdadas da terra que as vira nascer, ainda iam aprender, estudando.
E continuavam, filhos às costas e equilíbrios na cabeça como não se pode imaginar.

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Fotografia Filomena Barata

Diz o texto do blogue que partilho que a «palavra zungueira vem de zunga, que é originária da língua Kimbundo e quer dizer andarilha, andante».

http://daafricacomamor.blogspot.com.br/…/mulheres-zungueira…

E hoje? O que são as Mulheres de Angola ou as de Portugal?

As mesmas horas, os mesmos dias.
Caminhantes ainda para que a vida se possa fazer…

Hoje não há, felizmente, guerra. Mas estas Mulheres, aqui ou ali, continuam a ser, homens ausentes ou emigrantes, o que faz os países terem chão, mas também ar para viver.

Até que um dia, mesmo com as costas cansadas, digam alto: vamos lá deixem-se de histórias e vamos todos trabalhar de igual modo e aqui!

Olá Angola, olá Portugal. Parabéns por um país a nascer!

Eu zungueira serei.

Fotografia de Paulo Percheiro

Fotografia de Paulo Percheiro

Publicado por: Filomena Barata | Novembro 10, 2014

A Expansão da Língua Portuguesa: Filomena Barata e Tomás Gavino

Breve síntese da conferência/debate apresentada na Casa de Angola

Queria tanto acreditar nos sonhos do teu Atlântico largo,
sem fronteiras nem línguas ou cores
naquele em que me fizeste crer
mas hoje quero-me aqui, nesta ilha pequena no meio do Oceano
quieta, sem sonhos ou gestos, apenas escutando o ecoar do Mar.

Eu nada tenho para dizer
mas sei que ele algo me segredará!

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Afinal o que é uma língua?

Um sentir?
Um pulsar?
Um entoar?
Um código com as suas regras sintáticas e gramaticais?

Um léxico, uma sintaxe ou uma figura de estilo?
Um rezar ou um cantar?
Um conjunto de letras formando palavras e de palavras criando ideias?

A língua é tudo isso, sem dúvida, entre as muitas componentes do universo cultural de um determinado povo ou conjunto de povos, Seja enquanto manifestação oral – fala, conto tradicional, canção – ou através das suas expressões escritas.

Livro Malanje

Os antigos rabinos e cabalistas explicavam a ordem, a harmonia e as influências dos céus sobre o mundo e a própria História através das 22 letras do alfabeto hebraico, pois da sua combinatória surgiam as Palavras e da sua ligação, casuística aos olhos dos Humanos mas sagrada para a Divindade, nasceu a História. Os “acontecimentos” não são mais do que fruto da aliança das letras e das palavras.

E as letras mistéricas são também algarismos, ou seja a sua grafia é tecida de símbolos, como se fosse cada uma dotada de personalidade própria, como um indivíduo, dotado de força própria e desempenhando um papel determinado.

Deus criou todas as coisas com números, medida e peso. Por isso os cabalistas dizem que cada número contém um mistério e um atributo que se refere à Divindade ou a alguma inteligência.

Tudo que existe na natureza forma uma Unidade pelo encadeamento de causas e efeitos, que se multiplicam ao infinito; e cada uma destas causas refere-se a um número determinado.

alfabeto hebraico

«Derivado, sem dúvida, do Latim, o Português acolheu de boamente contributos do Grego, do Árabe, do Visigótico… e, já nos nossos dias, consignados no Dicionário da Academia, termos próprios de outros países europeus, do Brasil e dos PALOPS (daí, a ideia peregrina do tal acordo ortográfico…). O lugar e o tempo constituem, consequentemente, coordenadas a ter em conta, mormente se pensarmos que, apesar de termos apenas duas línguas oficiais – o Português e o Mirandês – há ainda o barranquenho, o minderico e – porque não? – o falar algarvio, o falar gandarês…. O Brasil poderá ser também motivo de sugestiva análise, se atentarmos que, logo no aeroporto, quando chegamos, deparamos não com a indicação «tapete» mas o classicíssimo «esteira»; e a nossa ‘fotocópia’ é… xerox! A simbiose perfeita entre o conservadorismo vernáculo e a adopção sem peias do neologismo preciso. Qual a origem da língua portuguesa, portanto? O Povo que desde há muito séculos a fala, em épocas e em lugares precisos. Uma origem que não devemos, por consequência, considerar estática nem no tempo nem no espaço – porque… está viva»!

E amadurece todos os dias!

José d’Encarnação

Mas não podemos esquecer também o« tempo do galego-português (ou galaico-português, se preferirem), nascido do latim no ângulo noroeste da Península Ibérica, depois da presença romana iniciada em 218 a.C. Outras invasões e conquistas trouxeram outros falares.

E se o latim escrito continuava como língua de cultura e transmissão de conhecimento, o português nascido de uma das línguas peninsulares (galego-português, castelhano e catalão; os bascos não haviam abraçado o latim e assim se mantiveram) viu o seu vocabulário, latino e grego na origem, enriquecer-se com palavras de origem germânica (menos) ou árabe (mais)».

Claro está que não podemos esquecer todas as outras influências, como o Francês e o Inglês e até mesmo o mandarim.

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Fez, no passado dia 26 de Junho, 800 anos que foi escrito o primeiro texto oficial conhecido em língua portuguesa, o testamento de D. Afonso II, de 1214.

Ora o que é marcante não é só facto de  D. Afonso II ter escrito o seu testamento.

«Ele limitou-se a usar uma língua que obviamente já existia e já era usada pelo seu povo.

O simbolismo deste momento e desse marco é que é a primeira vez que isso foi feito. Nunca antes dele, um Rei, um Estado, um soberano usara a nossa língua, escrevera oficialmente a nossa língua», usando as palavras de  José Ribeiro e Castro ao Jornal «Público« do passado dia 27 de Outubro.

São praticamente 300 milhões os falantes de Português pelo Mundo, tratando-se do 5º idioma mais falado no mundo.

400.000 palavras e com palavras técnicas 600.000.

Só no Brasil temos 200 milhões de falantes de Português, tratando-se, portanto, do maior de todos os lusófonos.

O Português é considerado a quinta língua usada na Internet, seguindo-se ao árabe era usado, em 2013, por 135,6 milhões de pessoas, e ao espanhol com os seus 222,4 milhões de cibernautas, segundo um estudo da empresa de estatísticas World Stats o Português tem 121,8 milhões de utilizadores.

Fala-se Português em Portugal;  Brasil; Timor; Angola; São Tomé, Cabo Verde, Guiné e Moçambique, já para não falar de Macau, Goa ou Malaca, ou das nostálgicas teimosias de alguns habitantes de Olivença, ou  de  todos os países onde as comunidades portuguesas emigradas o espalham pelos continentes.

O Português em Angola

De todos os países lusófonos, Angola é — com a natural excepção de Portugal e do Brasil — o país onde a língua de Camões mais se propagou pela população e aquele onde a percentagem de falantes de português como primeira língua é maior. Em todo o país, cerca de 70% dos 12,5 milhões de habitantes falam português.

História

A adopção da língua do antigo colonizador  como lígua foi um processo comum à grande maioria dos países africanos. No entanto, em Angola deu-se o facto pouco comum de uma intensa disseminação do português entre a população angolana, a ponto de haver uma expressiva parcela da população que tem como sua única língua o Português.

Conhecem-se vários casos de famílias africanas onde o mais-velho, o pai, proibia os filhos de falar noutra língua que não o português, mesmo em casa.

Entre 1575 e 1592  estima-se que tenham desembarcado em Angola 2340 portugueses, embora apenas 300 permanecessem em Luanda em 1592, pois 450 teriam sido vítimas de guerras e doenças e os restantes ter-se-iam fixado no interior, onde assimilaram as línguas e culturas africanas. O número de mulheres europeias na colónia seria muitíssimo reduzido, o que significa que a larga maioria dos filhos dos colonos, mestiços, eram educados por mulheres africanas que lhes ensinavam as suas línguas. Em 1605 os jesuítas abriram uma escola em Luanda, mas seria menos para o ensino de crianças e mais para a captação de novos clérigos.

Entre 1620 e 1750 o kimbundu afirmou-se como a língua mais usada em praticamente todos os lares de Luanda e na vida diária da cidade.

O estabelecimento de uma elite afro-portuguesa — que ocupava os principais cargos da administração pública e estava envolvida no tráfico de escravos — foi o factor que mais contribuiu para esta situação.

Embora tivesse um bom conhecimento de português, esta elite era falante nativa de kimbundu ou kikongo. Durante este período deveu-se às escolas instituídas pelos missionários jesuítas, carmelitas e capuchinhos um maior conhecimento da língua portuguesa pelos habitantes do Congo e de Luanda e arredores.

No interior dos territórios controlados pelos portugueses, o português era usado como língua franca entre chefes e comerciantes, mas a maioria da população expressava-se exclusivamente em kimbundu.

Na verdade, os escravos exportados a partir de Luanda, independentemente das suas origens, aprendiam algum kimbundu e eram baptizados nesta língua antes de serem embarcados. Foi para poder interagir e compreender estes escravos que o português Pedro Augusto Dias, radicado no Brasil, publicou “Arte da Língua de Angola” em 1697, a primeira gramática conhecida sobre o Kimbundu.
Entre 1750 e 1822, os portugueses procuraram impedir a crescente africanização, cultural e linguística, da elite afro-portuguesa de Angola, nomeadamente através do decreto de 1765 do governador Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, que desencorajava o uso de línguas africanas na educação das crianças.

«Mas só a partir de 1850 é que o ensino oficial do português começou a dar os primeiros passos. Depois de Luanda e Benguela foi Pungo Andongo a primeira localidade a ter uma escola oficial do ensino primário.
Os testemunhos da época apontam para a utilização de variedades reestruturadas do português entre as camadas mais pobres das cidades costeiras e arredores. Em 1894, o folclorista e filólogo americano Heli Chatelâin, missionário protestante de origem suíça, ao referir-se ao kimbundu falado em Luanda, define-o como sendo uma mistura de elementos portugueses, enumerando 90 empréstimos do português ao kimbundu, que incluem não só empréstimos lexicais (ex. palaia, praia), mas também gramaticais (ex. poji, pois), bem como vários exemplos de palavras portuguesas adaptadas à morfologia do kimbundu (ex. njanena, janela; jinjanena, janelas).

Apesar de ser um processo impositivo, a adopção do português como língua de comunicação corrente em Angola propiciou também a veiculação de ideias de emancipação em certos sectores da sociedade angolana, facilitando a comunicação entre pessoas de diferentes origens étnicas.

O período da guerra colonial foi o momento fundamental da expansão da consciência nacional angolana. De instrumento de dominação e clivagem entre colonizador e colonizado, o português adquiriu um carácter unificador entre os diferentes povos de Angola.

Com a independência em 1975, o alastramento da guerra civil, nas décadas subsequentes, levou à fuga de muitas centenas de milhares de angolanos das zonas rurais para as grandes cidades — particularmente Luanda — levando ao seu desenraizamento cultural.

Data desta época a construção de enormes zonas de habitações precárias — os musseques, que já os havia mas não em tão grandes proporções — que ainda hoje caracterizam a capital angolana.

Esta deslocação interna haveria, contudo, de favorecer a difusão da língua portuguesa, já que esta se tornaria a única língua de contacto dos refugiados internos entre si e com os habitantes destas cidades. Após a paz entre a UNITA e o MPLA os refugiados que regressaram às regiões rurais de origem levavam já o português como primeira língua».

Tomás Gavino

Pintura da série diálogos de Clotilde Fava

Diálogos

«Adoptado o português como idioma oficial (em Angola), que é inquestionavelmente a língua materna de milhares de angolanos, a questão passa a ser a forma como esta dialoga com os demais idiomas de matriz africana, entre Bantu e não Bantu, nomeadamente o cokwe, fiote, helelo, khoisan, kikongo, kimbundu, ngangela, nhaneka-nkumbi, umbundu, oxindonga, oxiwambo e vátwa. E se o leitor nos permite problematizar um pouco sob o axioma de que cada língua veicula uma cultura, a questão seria: que cultura veicula a língua portuguesa numa sociedade multi-étnica e linguística? Bem, é em nome da cultura, que é por vocação um fruto da partilha, que teremos de evitar radicalismos e complexos, sejam eles de inferioridade ou de superioridade, pois as sociedades são dinâmicas e o fenómeno linguístico é inerente à interação dos povos.

Quando falamos do diálogo que deve existir entre as línguas, é tendo precisamente em conta o cuidado necessário para que o status dado a uma língua, que geralmente corresponde a determinado grupo social, não represente a subjugação de outros».

GOCIANTE PATISSA (Angola), ao Jornal Público.

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-portugues-tem-de-dialogar-1664228

«E se os movimentos de libertação africanos optaram pelo português no momento de escolher uma língua oficial, isso deveu-se à necessidade de evitar divisões (escolher uma língua em detrimento de outra acirraria tribalismos) e ao mesmo tempo de aproveitar o esteio do conhecimento já semeado pelo português».

Nuno Pacheco, Jornal Público

http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/a-velhissima-mae-e-os-seus-diferentes-filhos-1660637

SOMOS DE LÁ

Estamos sem estarmos,
somos sem sermos,
mas somos mesmo assim.
Quem diria
que o nosso capim cresceria
por cima de todos os mapas.

Lá, quando lá vivíamos,
não sabíamos
que sairíamos de casa
num dia que ainda hoje
não anoitece na nossa existência.

Cá, não somos de cá,
e Lá, ficamos do lado de lá
da festa nova geracional,
que desconhece o irmão do século antigo.

Estamos lá em mente e saudade,
e cá enfrentamos a realidade.
Somos de Lá, ainda sem sermos já,
burocraticamente,
pois, vistos e retornados lá,
continuamos de fora como cá,
como antigamente.

Não somos, para os de Lá de hoje, de Lá, agora.
E para os de cá…. também não dá…
para explicar outra vez a História.

José Jacinto

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“A beleza nunca é triste[1]”

Nem os postiços
nem as lembranças
belas

Que é só o mar
no bater das ondas
a tomar o seu banho
nada para desmerecer
as almas
engolidas pela espuma

E se ente soldado é defunto
até voltar da guerra
Tchipa ressuscitou o mundo
na saudade que canta
na frente da chama
“cá na mata, a vida é bela, mamã[2]”
mesmo aos olhos do fado
“a beleza nunca é triste”.

Gociante Patissa, Benguela,

in «Guardanapo de Papel», a sair brevemente sob chancela da editora “NósSomos”, Lisboa, Portugal (escrito a 27.11.11)

[1] Celeste Rodrigues, fadista portuguesa, in entrevista ao programa “Cartaz” (SIC, 26/11/11)

[2] Trecho da canção “Cartinha da Saudade”, do músico angolano Jacinto Tchipa, década de 1980

Publicado por: Filomena Barata | Setembro 2, 2014

PORTUGAL ROMANO COM GOSTO

PORTUGAL ROMANO COM GOSTO.

Publicado por: Filomena Barata | Maio 24, 2014

Álvaro Silva, Bom dia, bom dia!

Meus amigos.<br /><br />
Bom dia, bom dia.<br /><br />
Ontem foi assim </p><br />
<p>A lua surgiu,parida das entranhas da escuridão e prateou a terra com a sua luz argentina.<br /><br />
Meu olhar melancólico varreu a imensidão do firmamento e na retina ficaram os imensos pontos luminosos que se destacavam do escuro e estrelado céu.<br /><br />
A suave brisa nocturna, refrescou com o seu perfume de vento e limpou do firmamento as esparsas nuvens brancas que ensombravam a luz pálida da lua.<br /><br />
O luar desta noite cálida de fim de estação, neste Maio mês de Maria e de saudades eternas, fizeram-me regressar aos meus tempos de folguedos ao luar. Nas rodas rodadas com o cantar  do Que  linda barquinha, do passarão, passarão, do cavalo quem cai, revivi a minha meninice e transportei-me no tempo para  aquele tempo da minha infância onde vivi com a inocência da minha tenra idade momentos de extrema felicidade, lembrados hoje com a nostalgia que as agruras da vida colocou no ponto do percurso traçado pelo destino ou pelas estranhas coincidências da vida.<br /><br />
Tudo mudou. Mudou o tempo, mudei eu, mudou o espaço,.... só a Lua e o luar não mudaram e os sentires da minha alma que me trazem para estes pálios de gratas recordações.<br /><br />
Um grande abraço a todos.</p><br />
<p>Luanda,24 de Maio de 2014.<br /><br />
Varito.

Meus amigos.
Bom dia, bom dia.
Ontem foi assim

A lua surgiu,parida das entranhas da escuridão e prateou a terra com a sua luz argentina.
Meu olhar melancólico varreu a imensidão do firmamento e na retina ficaram os imensos pontos luminosos que se destacavam do escuro e estrelado céu.
A suave brisa nocturna, refrescou com o seu perfume de vento e limpou do firmamento as esparsas nuvens brancas que ensombravam a luz pálida da lua.
O luar desta noite cálida de fim de estação, neste Maio mês de Maria e de saudades eternas, fizeram-me regressar aos meus tempos de folguedos ao luar. Nas rodas rodadas com o cantar do Que linda barquinha, do passarão, passarão, do cavalo quem cai, revivi a minha meninice e transportei-me no tempo para aquele tempo da minha infância onde vivi com a inocência da minha tenra idade momentos de extrema felicidade, lembrados hoje com a nostalgia que as agruras da vida colocou no ponto do percurso traçado pelo destino ou pelas estranhas coincidências da vida.
Tudo mudou. Mudou o tempo, mudei eu, mudou o espaço,…. só a Lua e o luar não mudaram e os sentires da minha alma que me trazem para estes pálios de gratas recordações.
Um grande abraço a todos.

Luanda,24 de Maio de 2014.
Varito.

Publicado por: Filomena Barata | Maio 9, 2014

Termos angolanos, partilhados por Alipio Mendes

 

Termos Angolanos

 

Povo Tchokwe - Lunda Norte

Em angola não tem policia, tem magala ou malaike
angolana não fica com má aparência, fica ngaxi ou rebentada
angolano não foge, tira voado
angolano não é passageiro, é pax
angolano não é mais velho, velho, é kota, papoite, mamoite
angolano não vende, páya ou emporra
angolano tem dinheiro, está bossanga ou ferve, está quente
angolano não está mal, tá malaike
angolano não fala, da uma dica
angolano não atrapalha, maia
angolano não é cidadão, é muadié ou wi
angolano não tem problema, tem babulo
angolano no táxi não encosta, emagrece
angolano não goza, estiga
angolano não é grosso, é caenche
angolano não viola, ngombela
angolano não mente, da bilingue ou dá jajão, intruja
angolano não é mentiroso, é intrujão
angolano não bebe cerveja, bebe birra ou piven
angolano não bebe whisky, bebe mambito
angolano não tem dinheiro, tem cumbu/tem massa/tem os que faz rir
angolano não viaja, sapa
angolano não liga luz, faz um gato
angolano não é diplomata, é nguvulo
angolano não escuta música, curte os brindes ou sons
angolano não trabalha, bumba ou buli
angolano não luta, bila
angolano não curte, tchila
angolano não faz amor, tchaca, cuna, péra, orça ou tira uma agua, serra
angolano não peida, bufa
angolano não conquista mulher alheia, trola
angolano não tem moto, tem uma turrum
angolano não é multado, é penteado
angolano não está aflito, está paiado
angolano não difama, estende, zongola
angolano não tem ressaca, ta over
angolano não vê mulher bonita, vê mboa
angolano não tem namorada, tem garina…ducha.daia
angolano não fica pobre, fica wazebele ou ancorado
angolano não olha, gala, mara
angolano não tem traje de gala, tem grife
angolano não pega, canga
angolano não tem rabo, tem mbunda, turugo
angolano não tem alguma coisa, tem um bom mambo
angolano não passa a perna, faca
angolano não extorque, parte braço
angolano não facilita, da falida
angolano não tem mulher ou namorada, tem dama, xkindosa, tucha
angolano não conquista a mulher, dica dama
angolano não e polígamo gajo de gajas
angolano não atende funeral, vai ao komba ou oscar
angolano não faz crédito, faz kilapi
angolano não pensa, banzela
angolano não vai, tira o pé
angolano não diz: tudo bem? Diz tass
angolano não rouba, gama
angolano não ultrapassa, da mbaia
angolano não morre, da caldo ou da ntum
angolano não estuda, amarra
angolano não conduz, ele pega ou nduta
angolano não come, pita
angolano não bebe, chupa, chucha, torra
angolano não roça., tarracha
angolano não dança, baila, arrasta o pé
angolano não toma o pequeno-almoço, matabicha
angolano não vai a festa, vai ao boda
angolano não veste, trapa
angolano não faz xixi, da uma sussa
angolano não tem amigo, tem camba
angolano não tem mama, tem xuxa
angolano não vai para terra, vai para banda
angolano não tem mau hálito, tem dizumba malaica! Catinga
angolano não se pendura em carros, se magwela
angolano não faz a bola passar por cima, cabrita ou dá mé
angolano não faz a bola passar entre as pernas, dá da ova ou caguero
angolano não tem sorte/oportunidade, tem fezada
angolano não se droga, chuta-se
angolano não é criança, é ndengé
angolano não passeia, zunga
angolano não sente frio, sente kawelo
angolano não afunda, smasha
angolano não faz musculação, manguita
angolano não sai à noite, desbunda
angolano não joga, péla
angolano não arranja dama, lhe morrem
angolano não tem finta, tem vira-vira.
Angolano não reprova, pica
angolano não telefona, fona
angolano não tem fome, tá fobado
angolano não come, pápa
angolano não é angolano, é mwangolé
angolano não é refugiado, é turísta

Publicado por: Filomena Barata | Abril 15, 2014

Filomena Barata, 25 de Abril SEMPRE!

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Abril tem cheiro a cravos ou a rosas

mesmo às papoilas que nascem nos campos e nos jardins

Abril tem o Céu aberto e as cores que formos capazes de inventar.

Tem um nome só: LIBERDADE!

[25 à rua!]
No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa.
Salgueiro Maia (capitão de Abril
)25 de Abril

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Publicado por: Filomena Barata | Abril 1, 2014

Arquitectura Portuguesa em Angola, Maria Helena Teixeira

Quem foi o arquitecto do Banco Nacional de Angola?
VASCO REGALEIRA (1897|1968)
Arquitecto português, com obra fundamentalmente feita durante o Estado Novo, ficou conhecido como o arquitecto das novas igrejas, por ser responsável pela construção de uma panóplia destes edifícios nas décadas de 40/50.
PROJECTOS
1947|Sanatório D. Carlos, Lisboa, Portugal
1949|Biblioteca Municipal Dr. Jaime Dias, Castelo Branco, Portugal
1951|Igreja de Santo Contestável, Lisboa, Portugal
1955|Igreja de Santo São João de Brito, Lisboa, Portugal
1956|Banco Nacional de Angola, Luanda, Angola
Quem foi o arquitecto do Banco Nacional de Angola?<br />
VASCO REGALEIRA (1897|1968)<br />
Arquitecto português, com obra fundamentalmente feita durante o Estado Novo, ficou conhecido como o arquitecto das novas igrejas, por ser responsável pela construção de uma panóplia destes edifícios nas décadas de 40/50.<br />
PROJECTOS<br />
1947|Sanatório D. Carlos, Lisboa, Portugal<br />
1949|Biblioteca Municipal Dr. Jaime Dias, Castelo Branco, Portugal<br />
1951|Igreja de Santo Contestável, Lisboa, Portugal<br />
1955|Igreja de Santo São João de Brito, Lisboa, Portugal<br />
1956|Banco Nacional de Angola, Luanda, Angola
Publicado por: Filomena Barata | Março 24, 2014

Filomena Barata, 25 de Abril SEMPRE!

Abril tem cheiro a cravos ou a rosas

mesmo às papoilas que nascem nos campos e nos jardins

Abril tem o Céu aberto e as cores que formos capazes de inventar.

Tem um nome só: LIBERDADE!

[25 à rua!]
No Carmo, ao chegar houve desde senhoras a abrir portas e janelas para colocar os homens nas posições dominantes sobre o Quartel, até ao simples espectador que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. O ambiente que lá se viveu não tem descrição, pois foi de tal maneira belo que depois dele nada de mais digno pode acontecer na vida de uma pessoa.
Salgueiro Maia (capitão de Abril
)25 de Abril

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Publicado por: Filomena Barata | Março 11, 2014

Luanda despertou molhada, Álvaro Silva

Alvaro Silva
Bom dia , Bom dia meus amigos.
Quero aqui partilhar isto que aqui escrevo , de forma espontânea, sem prumos nem arrumos.Luanda despertou molhada.
A chuva caiu devagar, lentamente e molhou a terra sedenta. Os pingos refrescaram os escaldantes tectos de zinco das casas dos musseques que clamavam por uma trégua ao calor sufocante dos últimos dias. A chuva tamborilou e arrancou o som característico no seu bater na chapa de zinco, trouxe a saudade lembrada dos tempos de criança e molhou alegremente as ruas empoadas da cidade.
As crianças brincam inocentemente nas águas vermelhas de terra que arrastam o lixo para os esgotos de céu aberto. A água caída das nuvens carregadas acumulam-se em autênticas lagoas formadas nos buracos das ruas ainda sem asfalto. A lama salpica as paredes caiadas de branco das casas do musseque, levantada pelas rodas dos carros que transitam displicentemente pelo chão irregular das estradas de terra batida.
Mulheres e crianças depositam apressadamente os recipientes de plástico de cores diversas nas goteiras para o aproveitamento da água que escasseia e assim aumentarem o suprimento do tão procurado líquido.
Nos bairros pobres a chuva é alegria , mas é também preocupação, pois traz trabalhos e cuidados acrescidos as mães cujos filhos irrequietos em grupos de miúdos encontram nas lagoas perigosas o local ideal para os seus folguedos de criança. É vê-los de olhos brilhantes , corpos franzinos , magros ,nus de sorrisos rasgados mergulharem , alegremente nos charcos de água que arrasta o lixo e os dejectos onde inocentemente brincam, alheios a tudo.
Na cidade de asfalto, o céu cinzento de nuvens baixas, descarrega generosamente a água que lava o negro tapete e deixa no ar o cheiro de terra e asfalto molhados.
Homens, mulheres e crianças de batas brancas vestidas a caminho da escola abrigam-se apressadamente da chuva debaixo dos prédios e dos alpendres das ruas por onde passam . É grande a confusão. Passeios apinhados de gente que sobe, de gente que desce, gente que corre, gente que caminha apressada, . Trânsito desordenado onde os candongueiros são ao actores principais desta peça na sua forma indisciplinada de conduzirem a margem do que as regras de trânsito preceituam.
Do alto dos prédios a água cai , generosamente, escorre pelas paredes de betão e ruma em direcção as sarjetas, desaparecendo no interior do tapete asfáltico.
O céu escuro deixa a sua cor cinzenta triste que cobre a cidade e esconde na sua imensidão o horizonte para lá do mar, para lá da terra distante, onde a minha saudade morre na lembrança daqueles que amo.
A chuva amainou o calor, secou os suores, refrescou a terra e as suas gentes.
A chuva trouxe a saudade, trouxe a nostalgia dos tempos que o tempo marcou no passado.

Luanda, 11 de Março de 2014.

 

Fotografia Filomena Barata

Fotografia Filomena Barata

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