Filomena Barata, Eventos e Efemérides: Dia da Criança, um pequeno balanço


Papagaios de papel voando nos céus de Angola, execução Celeste Gerald. Fotografia de João Stattmiller

O símbolo do Dia da Criança do nosso Grupo. Desenho de Antónia Tinturé

Alunos da Escola Manuel Teixeira Gomes, Portimão, Portugal, quando ouviam o poema musicado «Pedra Filosofal».

Mariana Lampreia a ler o poema de Viriato da Cruz «Namoro»

Dia da Criança no Colégio S. Francisco Xavier, Restelo

Barra do Dende, Fotografia de António Barata

Fotografias: Paulo Percheiro

Quarta-feira, 1 de Junho às 9:30 – 8/6 às 19:00

Local
No Grupo com carácter virtual ou em locais a sugerir

Criado por

Mais informação

No Grupo «Angola, Portugal; portugal em Angola» o «Evento do Dia da criança» havia sido criado nos seguintes moldes.

«Desejamos aqui comemorar também o Dia da Criança.
Muito gostaria que já fosse possível nessa altura desenvolver pequenas iniciativas concretas de intercâmbio “real” entre Angola e Portugal, nomeadamente através de permutas entre escolas que sejam viáveis e exequíveis, pelo que aceitamos os contributos de todos os aderentes e colaboradores no sentido de nos serem feitas sugestões, fazendo um repto especial aos professores e educadores que aqui se encontram connosco.

Não obstante, mesmo em versão virtual, vamos dedicar uma semana às questões da CRIANÇA: seus direitos; condições de ensino; educação e saúde, bem, como ocupação de tempos livres.

Deixamos aqui meramente como sugestão, um exemplo de um projecto que esperamos um dia se venha a desenvolver entre os dois países».

http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.com/2010/11/o-mundo-e-do-tamanho-que-nos-conseguim.html

Podemos dizer que o que aconteceu no nosso Grupo ultrapassou a todos os níveis o que tinhamos imaginado.
Quer do ponto de vista da partilha de informação sobre esta temática, quer das iniciativas, referindo-se que em várias escolas de Portugal foi lido o poema «Namoro» de Viriato da Cruz, designadamente no Colégio S. Francisco Xavier, Restelo, a quem muito agradeço ter participado desta iniciativa, em particular à professora Catarina Viveiros, e que, em Angola, foi lido a «Pedra Filosofal» de António Gedeão.

Por sua vez, na Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, Portimão, foi feita a audição musicada do poema «Pedra Filosofal», agradecendo aqui também a colaboração da Professora Ana Gonzaga.

Foi ainda possível ver nos céus do Sul de Angola voar papagaios de papel, executados por Maria Celeste Gerald, que os remeteu para Angola ao cuidado da UNICEF no Lubango, momento esse que foi de grande emoção para todo o Grupo. Ao empenho de João Stattmiller se deve não só termos tido a possibilidade de conhecer a realidade de algumas escolas da região, como ao facto de ter acompanhado de perto a acção e nos ter dado, quase em directo, a possibilidade de ver os papagaios voarem pelas mãos de meninas e meninas nos céus de Angola.

Não foi fácil a viagem dos papagaios de Luanda ao Lubango. Momentos houve de grande tensão e quase desânimo, pois tinhamos conhecimento que tinham “aterrado” em Luanda no dia 5 de Maio e só chegaram ao destino no próprio Dia da Criança. Mas a vontade de muitos, de que destaco a Arlinda Cohen e o João Stattmiller, fez com que pudesse acontecer o nosso sonho.

Esperamos que este dia tenha ainda permitido dar mais  mais coesão ao espírito do Grupo e que tenha servido para tornar mais determinada a participação dos seus aderentes e colaboradores, dando-nos força para continuar.

Voltarei para completar esta nota logo que, de Angola, cheguem imagens da Escola onde foi lido o poema de António Gedeão, mas não quis deixar de fazer este pequeno balanço e agradecar a todos os colaboradores e amigos do Grupo e às escolas e entidades referidas.

Estamos juntos!

Obrigada a todos que participaram directamente ou que apoiaram no Grupo «Angola em Portugal; Portugal em Angola».

Responses

  1. Canuque

    Canuque da cor d’amora
    Canuque da cor de breu
    Que anda sempre descalço
    Descalço como nasceu.

    Canuque trepa coqueiro!
    Sabe as horas pelo sol!
    Sabe o rasto da jibóia
    E também do caracol!…

    Não tem medo do escuro,
    Medo do lobo ou papão!…
    Anda sozinho no mato
    Tranquilo do coração…

    De dia ele joga a bola
    Da chipipa mafumeira
    À noite ouve as histórias
    Sentado junto a fogueira.

    Ouve os contos da “vavó”
    De Baco-Baco, Camulundo…
    Contos de Kaparandanda…
    E como nasceu o mundo…

    Canuque sonha q’um dia
    “Vavós” também vão contar
    Histórias da sua vida
    D’uma vida de encantar!…

    Filomena Gomes Camacho

    (poetisa Angolana)

  2. À volta do fogo assentada
    Para canuque escutar
    Vavó falava as histórias
    Longas histórias de pasmar!

    Falava pausadamente…
    Como pausado era o vento
    Que no capim assoprava
    Mansinho como um lamento….

    Vavó falava as histórias…
    As sabidas as inventadas…
    Das milongas dos colonos
    E também d’almas penadas…

    Como tocar mukupiela.
    De Calelwa…da tradição…
    Como a arte Tchokwe foi
    Do cubismo inspiração!

    Contava, gesticulava…
    Falando de um céu além
    Livre pra toda a gente
    D’anjinhos negros também!

    Anjos iguais aos canuques
    Quiocos de pele escurinha
    D’uma grande formosura
    Olhos negros, carapinha…

    Vavó falava as histórias
    De tanta coisa vivida!…
    Vavó sabia de tudo
    Longos cacimbos de vida…

    Filomena Gomes Camacho.

    (poetisa Angolana)

  3. senhora FILOMENA entre em contacto comigo. DESEJO LHE CONTACTAR


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