Publicado por: Filomena Barata | Março 15, 2011

>Dia da árvore

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Junte-se a nós cuidando ou plantando uma árvore, em Angola e em Portugal.

Delonix Regia, Fotografia de António Barata

A ''''Delonix regia'''', também conhecida por flor-do-paraíso, pau-rosa; espécie de árvore só existente em Angola

  • “(…) é verdade mãe aquela árvore é capaz de grandes tristezas. Os mais velhos dizem que o embondeiro, em desespero, se suicida por via das chamas. Sem ninguém pôr fogo. (…)”
    Mia Couto, «O Embondeiro que Sonhava Pássaros»
    *
    “É enorme. E o largo tronco desproporcionado assenta em raízes grossas que se afundam poderosamente sugando o que será depois folhagem pequena e frutos para usar no caril.Quando se passa parece que se evola do vegetal gigante uma aura tranquila e protectora.Como se nos visse e nos cedesse um mínimo da sua alma de tempo.Os nativos consideram os embondeiros árvores sagradas. Acontece verem-se presos aos troncos rectângulos de pano branco e logo abaixo no chão uma tigela com oferendas – em lembrança de alguém.Não se cortam ramos de embondeiro para a fogueira. Apenas os frutos são colhidos porque no alimento haverá comunhão com a árvore.”
    GLÓRIA DE SANT’ANNA, «Ao ritmo da Memória»

Fotografia do Gerês, Jorge Peres

O Dia Mundial da Árvore ou Dia Mundial da Floresta é festejado a 21 de Março.

A comemoração oficial do Dia da Árvore teve lugar pela primeira vez no estado norte-americano do Nebraska, em 1872.
Porque a árvore é um símbolo de ligação da Terra ao Céu, falando-se mesmo nas árvores do Éden, também foram usados, por isso mesmo, os ciprestes, desde o Período Romano, como um símbolo do Eterno e eram consagrados aos Lares e Penates.

A nossa tão bem conhecida “árvore de Natal” tem origem nos Países do Norte da Europa e é isso mesmo que representa: a Eternidade!

Árvores na Lagoa de Santo André

Embondeiro, 2010. Fotografia de Filomena Barata

Por seu lado, a oliveira era considerada desde Gregos e Romanos a árvore da civilização, da paz e da vitória sobre as forças obscuras, esterilizantes e injustas, motivo pelo que a deusa Atena fez brotar a oliveira por detrás do Erectéion, como o mais belo presente que podia oferecer aos Atenienses.
O embondeiro em Angola é a árvore que marca o território, dando-lhe a escala da sua grandreza.
Vamos, assim, comemorar simbolicamente a existência de um Grupo, «Angola em Portugal; Portugal em Angola», aderindo ao dia da árvore e plantando em Angola e em Portugal uma árvore que marque o dia e o nosso intuito de PAZ e de VITÓRIA DA AMIZADE E DA CONCÓRDIA!
Plantemos ou cuidemos, pois, no dia 21 de Março, um arbusto, uma árvore que nos una nesta ponte imaginária entre os dois países.
Contamos vir a ter a colaboração de indivíduos ou entidades que se associem a este Evento.

https://aeppea.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=555&action=edit

Publicado por: Filomena Barata | Março 15, 2011

A CONSTRUÇÃO DE NÍNIVE, Amadeu Baptista

A CONSTRUÇÃO DE NÍNIVE

Toca-me o sangue. Peço-te que me toques
o sangue. Escuta este rumor
dentro do meu peito, esta palavra enlaçada
a uma pedra que arde dentro da terra.

Toca-me o sangue. Ordeno que me toques
o sangue. Este rio que corre nos meus olhos,
a música silenciosa que o mar vem entregar
quando os homens regressam do crepúsculo.

Vê como estou vivo. Vê como sabem a terra
as minhas palavras. Vê como tenho ensanguentadas
as minhas palavras perdidas, esses barcos
que a tempestade teme e as aves anunciam.

Amo-te. Toca-me o sangue. Sente que venho
da noite, que é com angústia que chamo
pelo teu nome, sonho os teus sonhos,
espero as tuas mãos.

Toca-me o sangue. Toca os fios de dor
que me rasgam a boca. Toca o fogo dos meus cabelos.
Toca-me o sangue, a escuridão
em chamas do meu peito.

Sou o que espera na noite. Sou o que chora
na sombra. Sou o que espera a tua passagem
silenciosa, os teus quadris ardentes
navegando na noite impassível.

Espero-te. Espero-te. Um perfume ergue-se
das tuas mãos, um punhal. Toca-me o sangue.
Sou o que espera na solidão inquieta
e toma a luz pela luz dos teus cabelos.

Espero um rio, é uma praia que espero, o azul
penetrante da tua tristeza secreta, esse bosque
rugindo um nome e precipitando a fuga
dos que temem e estão intranquilos.

Toca-me o sangue. Toca o arco de fogo
que cai das minhas mãos, as sílabas perdidas na treva
por que uma criança cresce para o sono
e toca a limpidez de uma lágrima.

A vida vem com a brisa. Um astro
aproxima-se do teu rosto. Uma canção desprende-se
da árvore de espuma que a sombra engendra.
Toca-me o sangue. O febril sangue do meu peito.

Amo-te, mulher desconhecida. Amo-te.
Amo o jorro de luz da tua boca,
as tuas cálidas palavras, a orla secreta
dos teus lábios onde o mar vem beber.

Amo o lume inesperado dos teus olhos, o teu corpo
nervoso, as tuas mãos perdidas no vazio.
Amo as caladas cintilações da tua boca,
a pequena mancha de tule que dança nos teus olhos.

Como a luminosidade descobre uma sandália na areia,
o sinal recente de um beijo no contorno de um rosto,
como um coração de pedra arde dentro da pedra
e uma nuvem transfigura para sempre o horizonte, amo-te.

Toca-me o sangue porque te amo. Toca-me o sangue
porque trago comigo uma palavra sagrada. Porque estou
inocente. Porque te amo. E uma ponta de luz
entrega a claridade invisível dos teus dedos.

Um rumor de água ou de lume vem das tuas mãos.
Pulsa nas veias da noite o vento do teu nome.
Um pássaro queima a tristeza inextinguível.
Um grito, um grito rebenta finalmente no meu e no teu peito.

Amadeu Baptista

Publicado por: Filomena Barata | Março 15, 2011

palavras soltas de Miguel Castro Henriques

Miguel Castro Henriques

Angola é tanto filha de Portugal e da imensa África quanto Portugal começa a ser filho de Angola e do seu secreto som, numa genealogia biunívoca e inesperada, com muito salero, diga-se de passagem. Por isso acho excelente ideia que se crie este blog – não oficial, e por isso de língua solta, destravada mesmo e espera-se não institucional – porque tudo o que é institucional, ok, dá tachitos gostosos, mas põe a linguagem em sentido, e a linguagem gosta de todos os sentidos, incluindo o não sentido, e pouco do uniforme.

Publicado por: Filomena Barata | Março 15, 2011

A floresta portuguesa, António Barata

Publicada por  Antonio Barata no Facebook
A floresta portuguesa é um ecossistema muito antigo, inicialmente com árvores de folha caduca no Norte do país e árvores de folha perene a Sul. Actualmente, a área florestal portuguesa ascende aos 3.3 milhões de hectares.

Portugal possui uma das maiores áreas florestadas da Europa (35.8 %)

Cerca de 85% da floresta de Portugal é propriedade privada, e apenas 3% pertence ao Estado Português, os restantes 12% são baldios, e pertença de comunidades locais.

Elejo como uma das árvores mais interessantes existentes em Portugal, embora amaldiçoada por alguns. Gosto do seu porte, da madeira, folhas e do aroma que emanam por essas serras e campos de Portugal. o EUCALIPTO, dos quais já tive oportunidade de plantar algumas centenas.

Publicado por: Filomena Barata | Março 15, 2011

O Pessegueiro

Proveniente da China, o pessegueiro (Prunus persica) é uma pequena árvore com inúmeras variedades, tendo os seus aromáticos frutos um grande valor nutrivo e vitamínico.

As suas folhas e sementes podem ser usadas em infusão que tem um efeito calmante e as flores são usualmente utilizadas como laxante

Pessegueiro, Fotografia gentilmente cedida por Adalgisa Videira

O Pesegueiro é uma espécie exigente em período  frio e tem grande sensibilidade às geadas de Primavera. Igualmente, no Verão, o Pessegueiro é exigente e requer rega

A exposição em encosta favorece a cultura, e a melhor qualidade dos frutos obtém-se com o seu cultivo em encosta, em solos profundos, permeáveis  e ricos em matéria orgânica.

Publicado por: Filomena Barata | Março 14, 2011

Árvores do Alentejo, Florbela Espanca

Publicada por Umbelina Fresco
Árvores do Alentejo

«Horas mortas… Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
…Gritam a Deus a benção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água»!

Florbela Espanca
Ver mais

Laranjeira, Fotografia de Daniel Casado

Publicado por: Filomena Barata | Março 14, 2011

Conheça a herança romana em Portugal

Visite:

http://www.portugalromano.com/wp-admin/

Publicado por: Filomena Barata | Março 13, 2011

ARACODI – Associação dos Residentes Angolanos no Concelho de Odivelas

Porto Amboim, Fotografia de Filomena Barata, 2010

Filomena Barata
Sabia que no concelho de Odivelas existe, desde 2001, uma Associação de nome ARACODI cujo objectivo principal foi ajudar a resolver e apoiar os imigrantes angolanos residentes neste concelho?
O combate à EXCLUSÃO SOCIAL e a luta pela MELHOR INTEGRAÇÃO E UMA BOA INTERCULTURALIDADE são as suas grandes metas.

A Associação tem múltiplas actividades, mas salientamos aqui o Apoio jurídico a imigrantes em vários domínios: emprego, Segurança Social, legalização,
*Reagrupamento familiar, retorno voluntário, encaminhamento para várias instituições;
*Formação Profissional; .
*Apoio de famílias carenciadas com a recolha de donativos;
*Visitas a Hospitais;
*Encontro de auscultação junto da comunidade dos bairros degradados;
*Organização de Excursões com crianças, adultos e idosos;
*Visitas a Museus;
*Organização de férias de praia para crianças;
*Encaminhamento de famílias para o Banco Alimentar;
*Encaminhamento de crianças desfavorecidas no ATL e creches do concelho;
*Distribuição anual de brinquedos a crianças desfavorecidas com a parceria do Consulado

Destaca-se ainda a organização de ACTIVIDADES CULTURAIS, como a Participação da Direcção da ARACODI na organização Programa da “Semana Africana” organizada pela Câmara Municipal de Odivelas;
*Participação no Programa do “Mês da Lusofonia” com intervenção na Comissão de Honra e apresentação de dança;
*Participação no Programa “Rota, Gente e Cultura” com grupos culturais, gastronomia, palestras e seminários;
*Participação em Feiras de Gastronomia, com a parceria da Junta de Freguesia de Odivelas com a representação da Gastronomia angolana, danças tradicionais e artesanato africano;
*Comemoração anual de datas como Carnaval, Dia da Mulher Angolana, Dia da Mulher Africana, Dia de África, Aniversário da Associação, Festas de Natal e Convívios organizados por Associados; dia da independência de Angola,
*Realização anual de Exposições com Artistas Africanos; e ANGOLANOS e ainda as ACTIVIDADES DESPORTIVAS.

ARACODI-Associação dos Residentes Angolanos no Concelho de Odivelas
http://www.aracodi.ydamba.com
‎-Associação de Imigrantes Angolanos Residentes no Concelho de Odivelas, sem fins lucrativos promove acções de formação socioeducativas e socioeconómicas, criar emprego e integração social garantir a sua unidade, respeito e identidade cultural. incentivar o respeito e pela diversidade cultural.

Publicado por: Filomena Barata | Março 13, 2011

A laranjeira

Laranjeira, Fotografia de Filomena Barata, 2011

Publicada por Filomena Barata

Ao que dizem os especialistas, a origem da palavra portuguesa laranja remota ao século XIV. Primeiro, em Espanha, designou-se “naranja” no final do século XIV, e, em Inglês, conhece-se a sua referência como “orange” por volta de 1387.

Ainda agora se discute a origem desta árvore frutífera do gênero citrus que é apetecível quer ao natural, quer com os seus sumos e na doçaria . A mais antiga descrição de “citrus” aparece na literatura chinesa, por volta do ano 2000 a.C. e, ao que parece, a laranja azeda provém da Índia.

Por sua vez, a laranja doce parece ter surgido na Europa muito depois, mas há nota de que já era cultivada no sul do continente, no século XV.

No século XVI os conquistadores espanhóis e os portugueses levaram as duas variedades da laranja para a América, para o Brasil, devendo ter sido também , por essa altura, introduzida no Continente Africano.

Em Portugal é muito comum o seu uso em espaços públicos, destacando aqui, apenas para exemplificar, as praças aromáticas de Vila Viçosa e as que em Belém perfumam as ruas.

Publicado por: Filomena Barata | Março 12, 2011

Helberto Helder, “A carta da paixão”

A caminho do Nzeto, Fotografia Filomena Barata, 2010

(a carta da paixão)

«Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas».

Herberto Helder
PHOTOMATON & VOX
Assírio & Alvim
1995
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