Publicado por: Filomena Barata | Outubro 24, 2013

Álvaro Silva, Insónia

Meus amigos.
A insónia bateu-me a janela e pela porta do meu sono entrou despertando-me para esta espontaneade da minha alma, aqui escrita sem prumos nem arrumos e que convosco partilho.O sol, reflectido nas águas do oceano, prateava com os seus raios no zénite a massa escura de água do oceano no mar do mussulo, emprestando-lhe um esplendor cuja luz dava a sensação de um gigantesco espelho flutuante. As águas penteadas pela suave brisa, encapelavam em ondas encarapinhadas que desmaiavam preguiçosamente na areia branca, murmurando ao vento sussurros de namoro. A suavidade das ondas embalando o enorme espelho,deixa no olhar do atento espectador, um espectáculo inebriante, de luz, de sol e calor, que a suave brisa maritima acaricia deixando nos rostos perlados de suor a sua frescura e o aroma da maresia que invade agradavelmente o olfato de quem se dilicia com este espectáculo.
Fotografia Álvaro Silva
Ao longe uma enorme mancha escura, recorta-se no horizonte indicando a ílha do Mussulo.
As gaivotas de penas alvas, cruzam o Azul limpo do firmamento,e o seu cantar ao cântico do imenso e espelhado mar se junta numa harmonia de sons qual harpas de querubins ensaindo os louvores ao Altíssimo.
Não muito distante uma canoa, escavada no tronco de uma mafumeira, cruza o mar, e põe no espelho imenso a sua escura imagem, com a silhueta também escura do pescador agarrado a sua vara de ximbicar.
Ajusto os meus óculos de sol e saboreo o prazer que a vida me dá .Deleito-me com a fresca brisa do mar , inspiro a plenos pulmões o ar com aroma da maresia e deixo soltar com ele os ais da minha alma dorida. Cerro os meus cansados olhos e vejo em sonhos de encantar a terna carícia no meu amor e o halito quente do seu respirar, cobre de prazer a saudade ardente que tange o meu coracao.
Meus braços se erquem e por entre os meus dedos corre o vento, tal como o tempo inexorável na contagem decrescente da vida. onde os justos se degladiam para manterem a verticalidade do seu ser, do seu pensar, sem os milindres da torpeza execrável dos que se valem das aparências para escarnecerem dos que se querem na lama, por julgamentos eivados de hipocresia e de falsidades de mentes torpes.
Meu peito alberga com nobreza os sentimentos de respeito e de amor ao próximo, sem bajulações desprestigiantes, nem servilidades caninas aos que ostentam acintosa e soberbamente os poderes mundanos desta vida terrena,onde o ouro e as jóias valem muito mais que as virtudes.
Oh vozes da hipocrisia e da maldicência calai-vos e no silêncio de que tendes medo escutai os clamores das vossas almas fétidas de pecado, apelando pela razão e pela verdade do que teimosamente, vossos olhos cegos nada vêm.
Oh Sol da minha vida iluminai-me e conduzi-me com humildade para os caminhos da justiça, da honra antes que minha vida se esfume e caia nas malhas dos meus incomplacentes algozes.”Glossário”
MAFUMEIRA, espécie arborea, cujo tronco é aproveitado para o fabrico das canoas dos Pescadores da ilha de Luanda.
XIMBICAR – palavra de origem quimbundo, Verbo transitivo com o significado de Remar a vara.

Luanda, 23 Outubro de 2013.

Fotografia: Álvaro Silva


Responses

  1. Como de costume, gostei muito… Obrigada, Álvaro


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