Publicado por: Filomena Barata | Junho 17, 2013

Álvaro Silva, Sábado

Bolongongo Alvaro Silva

Fotografia: Alvaro Silva

Alvaro Silva
Aos meus amigos.
Aos meus amigos de cá e de lá.
Aqueles amigos que trago comigo e de quem tenho gratas e boas recordações.
Aqueles amigos que comigo este espaço partilham, transmitindo o seu apreço e aquele amplexo que só o calor da verdadeira e sentida amizade é capaz de dar, aqueles amigos que comungam comigo as tristezas da minha alma, os desamores que a vida nos traz, e no falar dos seus silêncios encontramos muitas vezes o bálsamo mitigador para os dias cinzentos, para os dias sem alegria, para os dias sem vigor, para os dias sem vontades, sem quereres e sem crer… para os dias como hoje.

… Sábado, 15 de Junho.

Hora matutina. Despertei assim. Abri a janela do meu modesto quarto e esta visão inundou com esta imagem do tempo perdida no nevoeiro, a retina dos meus mortiços e cansados olhos. Meu olhar varreu pachorrentamente, os lugares do que lhe foi possível enxergar, passeou, lentamente por entre a névoa cinzenta e nas várias estações de recordações que o tempo não apagou, sentei o sentir da minha alma nos bancos das lembranças.
Nestes fugazes momentos a saudade fustiga-me impiedosamente a alma e a laceração pungente afoga a tristeza, que me faz sentir esta insipidez que a vida me trouxe, esta insipidez de sempre sentir o que não quero, esta insipidez de ver o vazio, esta insipidez que torna o mundo surdo e mudo os ais da minha alma dorida e magoada, pela insensatez das injustiças, das hipocrisias, das falsidades do homem, que com sorrisos rasgados de falsos e escondidos intentos distribuem os falsos sentimentos de amizades infiáveis, na desesperança desta esperança que a letargia desta insipidez, meu estomago azeda e minha visão embaça.
Perco-me mergulhado nesta insipidez, nesta morneza do tempo sem tempo, no tempo que passa e não pára, do tempo que me tráz na bandeja dos desprazeres da vida o sarcasmo, e o escárnio dos algozes que me querem … como o a lâmina do machado decepador deseja o pescoço do condenado inocente….
A brisa fria da manhã varre com suavidade estas cinzentas lucubrações, e a frescura terna acaricia minha alma, trazendo-me para a realidade do tempo, deste tempo insipido, que a vontade não cria e o querer não quer.
Esbarro nas contradições desta insipidez, que me pára a alma, que me pára o sentir, este sentir que me faz ver que sou humano e da humanidade de corpo e alma de insipidez vestido, e de prazeres despido… vagueia por entre os escombros invisíveis e nos braços dos fantasmas e dos medos temidos que me transportam para o colo da realidade, nua e crua.

Bolongongo, Sábado, 15 de Junho de 2013.

Álvaro Silva


Responses

  1. Gostei de ler. Obrigada


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