Publicado por: Filomena Barata | Novembro 21, 2012

Álvaro Silva, Meus amigos

Meus amigos.

Luanda acordou hoje molhada. A aurora surgiu com o tamborilar dos pingos da chuva no zinco das casas dos bairros suburbanos, imundados de água e de preocupações acrescidas.
As águas lambem com sofreguidão o negro asfalto, castigado pelo calor sufocante do dia anterior.
O ruído caracteristíco provocado pelo transitar dos carros chama a atenção dos ainda poucos transeuntes nos cuidados a ter para não se molharem com os respingos provocados pleos pneus das viaturas que circulam pelas largas avenidas.

O céu cinzento, escuro, ameaçador , testemunha a chuva caida e o prenúncio de novas quedas pluviométricas.
Caminho com cuidado para não molhar os pés nas águas estagnadas nas irregularidades do passeio, protejo-me dos pingos que ainda caem do céu cinzento com uma pasta preta de papeis que levo sempre comigo e com passos precisos e apressados, dirijo-me para a viatura que me levará para o trabalho. Cruzo a rua e sou agraciado com um sonoro – bom dia, chefe -dito pelo segurança do prédio vizinho que de capuz na cabeça e as mãos enterradas nos bolsos do seu casaco preto, para mim olhou no olhar vermelho dos seus olhos cansados pela noite de vigília e da aguardente de má qualidade.
– Bom dia Zé – respondo com simpatia , pois é gente do meu povo que merece o meu respeito pela consideração que me têm e acrescento de seguida;
– Esta chuva foi terrivel . vai trazer problemas na certa – disse-lhe eu.
– Eh!eh! eh , Chefe no fala só – lá no bairro então, assim a água já chegou nas casas.
– Pois é, respondo-lhe enquanto me dirijo para a viatura.
Destranco a porta do carro, entro para o lugar do motorista, ligo a chave e após o tempo recomendado para o aquecimento das velas, dou ao arranque e enquando aquece o motor, ligo o rádio e sintonizo 87.5 FM, que lê as músicas do meu MP3.
Uns escassos segundos de espera, fazem-me olhar para o párabrisas e vejo, folhas e raminhos secos que se desprenderam das árvores que ornamentam a rua da cidade. Minha mão direita num gesto automático segura na manete e ejecta rápidos jactos de água sobre o vidro e as escovas entram em funcionamento limpando o párabrisas e com o melhoramento da visibilidade, meu olhar se fixa no Hiunday vermelho, último modelo com jantes especiais de liga leve, com extras que deram ao carro uma aparência de singular beleza.
O ar húmido e o cheiro das plantas e da terra molhada perfumam o ambiente, a mistura com os odores do pão torrado que emana da pastelaria ao lado.
Meus pensamentos voam, repentinamente para a terra distante e a suadade dos meus invade-me por um momento.
O som dos acordes das guitarras tocadas com mestria ecoam no ambiente fechado da cabine do carro e a voz melodiosa e agradabilissima da diva do fado, no seu imortal”NÃO É DESGRAÇA SER POBRE” enche minha alma de uma estranha nostalgia.

álvaro Silva.

Luanda ,20 de Novembro de 2012

Não gosto ·  · há 17 horas · 


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