Publicado por: Filomena Barata | Setembro 10, 2011

Relatório (1 º Semestre 2011) de Pedro Vaz Pinto sobre a Palanca Negra

Caros amigos,
>
>
>
> Começo por me desculpar pelo longo interregno sem informação. Esta época
> chuvosa foi particularmente intensa na Cangandala, fazendo transbordar os
> rios e cortando os acessos por estrada para o parque, e em resultado disso
> acabei por passar vários meses sem visitar o parque. Para além disso, a
> primeira viagem foi um pouco decepcionante e achei que faria mais sentido
> incluir mais umas visitas e fazer então um relatório semestral. Para
> compensar pela perda, decidi passar mais algum tempo a preparar o pacote
> fotográfico, que está agora disponível como um picasa web album. Espero que
> resulte melhor…
>
>
>
> https://picasaweb.google.com/113384424565470443034/PalancaReportFirstSemester2011?authkey=Gv1sRgCJq8-8ydnIeYkAE#
>
>
>
> A primeira visita foi de facto frustrante. Esperávamos passar alguns dias a
> observar o macho, as suas senhoras (esperávamos que a fêmea magoada ainda
> estivesse viva, e a nona tinha desaparecido há mais de um ano), e a sua
> prole. E talvez novas crias? Localizar a manada não deveria ser
> problemático, com três animais marcados com coleiras rádio… Contudo, a
> Luísa – mãe da segunda cria, tinha uma coleira VHF/GSM e estas supostamente
> duram metade das típicas VHF (2 anos em vez de 4), e claro está, as baterias
> estavam já mortas em Maio. A segunda coleira estava afuncionar bem mas era
> da Quitéria, a tal fêmea que coxeava, e neste caso era ela que estava morta!
> A coleira levou-nos directamente ao seu esqueleto (Fotos 01, 02) e este foi
> naturalmente um momento triste, mesmo que não totalmente inesperado. Ela
> teria morrido pelo menos um mês atrás. Não se encontrou causa óbvia de
> morte, mas podemos assumir que terá estado relacionada com a lesão que a
> fazia coxear há tanto tempo.
>
>
>
> Como se isso não fosse suficiente, nos dias seguintes não conseguimos
> detectar o sinal da terceira coleira (VHF), aquela que estava no macho
> dominante. Isto já foi totalmente inesperado já que nesta coleira as pilhas
> ainda deveriam estar a cerca de metade da sua vida útil. Em cima disto, e
> como é habitual na época do cacimbo, os arbustos e capim estavam
> sobre-desenvolvidos, tornando impossível condizir a “corta-mato” e encontrar
> os animais de forma realista. Fez-nos especular se o macho não teria passado
> por debaixo da vedação e escapado para fora do santuário… havia muitos
> rastos frescos dentro, e o macho não largaria as suas meninas, pois não? Mas
> mesmo assim, como poderíamos ter a certeza? Encontrámos um bom local e
> colocámos lá uma câmara oculta, mas teríamos ainda de esperar algumas
> semanas pelo resultado…
>
>
>
> Na segunda vedação localizámos a manada híbrida, ou pelo menos a nossa fêmea
> “Judas” já que a sua coleira ainda funciona perfeitamente, mas já a outra
> coleira, na Úrsula, sendo GSM/VHF também já não se encontrava activa. De
> qualquer forma não foi possível observar a manada devido ao longo capim, mas
> também não valia a pena forçar as coisas.
>
>
>
> O registo das câmaras ocultas desde meados de Dezembro de 2010 (Fotos 51 –
> 86) revelou sequências muito interessantes, e confirmou que a manada híbrida
> estava em boas condições físicas e ainda junta. Mas a grande surpresa foi
> detectada fora das vedações, onde apareceu uma fêmea pura isolada. Não foi
> possível identificar na sua primeira aparição em Dezembro, mas
> subsequentemente tornou-se claro que se tratava da fêmea perdida, a Joana.
> Ela tinha conseguido escapar do santuário há mais de um ano sem deixar
> rasto?! Pelo menos não estava morta. Deve ter passado por baixo da vedação,
> abandonando a manada… Interessante verificar que ela tinha sido a primeira
> fêmea capturada na Cangandala em 2009 precisamente porque foi a primeira a
> largar a manada aquando da perseguição com o helicóptero, e é também uma mãe
> confirmada de um híbrido (o dna provou que foi ela que gerou a nossa “Judas”
> em 2004). Então, esta sempre foi rebelde! Uma alma romântica poderá ser
> tentado a acreditar que ela fugiu em busca do seu único e verdadeiro amor…
> o macho de palanca vermelha!!! Certamente que não… mas esperemos que não
> venhamos a encontrá-la em breve com um novo bastardinho!
>
> Em Junho começámos a construer uma terceira vedação que terá 450 hectares
> (Fotos 10, 11, 12) e é para aqui que em breve esperamos passar todos os
> híbridos.
>
> Emvisitas seguintes conseguimos seguir e encontrar a manada pura, e desta
> forma confirmar que o macho (Fotos 22, 23) continuava manso como sempre, e
> forte e saudável, e que o seu rádio estava de facto inoperacional. Mas as
> melhor notícia foi verificar no registo da câmara oculta que tinha sido
> colocada dentro do santuário, que tinha nascido a primeira cria de 2011. As
> duas do ano anterior pareciam saudáveis e bem desenvolvidas e foi agora
> possível determinar o sexo de todas elas. São macho – fêmea – macho por
> ordem de nascimento. Três crias (e apenas uma fêmea) em ano e meio de
> criação é sem dúvida um resultado modesto, mas 2011 ainda vai a meio e
> esperamos que com a expansão do santuário que faremos este ano, possamos
> então inverter a tendêcia e aumentar significativamente o sucesso
> reprodutivo.
>
> Já na segunda vedação, continuámos a monitorar a manada de híbridos, e até
> conseguimos uma míseras fotos (Foto 21) quando o grupo fugia.
>
>
>
> Numa breve visita ao Luando, renimos com os pastores para planificar em
> detalhe os próximos dois meses que serão cruciais. Para já, as notícias e
> perspectivas são animadoras. Um dia passado no rio deu para fazer boa
> observação de aves e para desfrutar e explorar um pouco a área (Fotos 28 –
> 46), e até nos foi mostrado um grupo de cinco hipopótamos (Fotos 36 – 38).
>
>
>
> No mês seguinte estaremos bastante ocupados, pois tentaremos concretizar uma
> nova e ambiciosa operação de capturas. Pretendemos transportar todos os
> híbridos para dentro da terceira vedação, consituir um novo núcleo
> reprodutor na Cangandala com palancas capturadas e trazidas do Luando, fazer
> uma prospecção aérea nalgumas das áreas mais remotas da reserva, marcarmos
> até 20 animais com coleiras, talvez capturar outras espécies, e fazer
> algumas intervenções anti-furtivo. De forma ainda mais forte que em 2009, a
> Força Aérea Nacional desempenhará um papel decisivo na operação.
>
>
>
> Bem, chega por agora, e se tudo correr bem o próximo relatório será
> sumarento.
>
>
>
> Cumprimentos,
>
>
>
> Pedro
>
>


Responses

  1. Fantástico! Obrigado amigo Pedro Vaz.


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