Publicado por: Filomena Barata | Julho 11, 2011

Filomena Barata, Chama-me o Sul … e o mar

Bem gostaria ir até à cidade onde, hoje feito estátua, Vasco da Gama contempla o mar.

Tenho vontade de rever Sines, o seu porto, e ruelas onde numa pensão «Veleiro» já sonhei o Atlântico inteiro.

Esse mar que deu pescado e Mundo e que, em época de dominação latina, parece ter contribuído para ali assentar cidade, pois para além dos extraordinários exemplares tardo-romanos, há tanques de salga de época imperial.

Pudera eu ir assistir, nas imediações do castelo altaneiro, aos concertos do «Festival Músicas do Mundo», agora já em Julho.

Mas não, agora não poderei, e quedar-me-ei pela cidade do Tejo, olhando-o sereno ao fim do dia.

Contudo, partilho convosco fotografias desse mar azul de Sines, que também o poeta Al-Berto tornou ainda maior.

«noutros tempos

quando acreditávamos na existência da lua

foi-nos possível escrever poemas e

envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído

pelas salivas proibidas – noutros tempos

os dias corriam com a água e limpavam

os líquenes das imundas máscaras

hoje

nenhuma palavra pode ser escrita

nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras

ou se expande pelo corpo estendido

no quarto do zinabre e do álcool – pernoita-se

onde se pode – num vocabulário reduzido e

obcessivo – até que o relâmpago fulmine a língua

e nada mais se consiga ouvir

apesar de tudo

continuamos e repetir os gestos e a beber

a serenidade da seiva – vamos pela febre

dos cedros acima – até que tocamos o místico

arbusto estelar

e

o mistério da luz fustiga-nos os olhos

numa euforia torrencial

Al-Berto
«Vestígios», in Horto de Incêndio

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Responses

  1. >… que esse chamamento se revele menos molhado com que os últimos dias se apresentaram. Não que tenha alguma coisa contra a chuva, mas passeios de guarda-chuva tiram-nos parte das vistas.Nota em directo: e até parece que o tempo me ouviu; neste momento e nesta margem do Tejo, o Sol timidamente rompeu as nuvens cinzentas e cheias de água.Óptimo domingo!


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