Publicado por: Filomena Barata | Julho 8, 2011

Álvaro Silva, Meus amigos

Mulher angolana-Waco Kungo. Fotografia de Álvaro Silva

Rio Quanza no Dondo, fotografia de Lito Martin

 

Meus Amigos.

O dia hoje despertou solarengo, mas sem aquele calor sufcante do tempo da chuva. O sol surgiu timidamente, aqueceu-nos com os seus matutinos raios, que romperam a custo a neblina do céu, tornando o clima agradável, presdispondo os habitantes desta cidade para uma boa prestação laboral.
A névoa mistura-se com o fumo cada vez… mais intenso das queimadas, já que elas aumentam a medida que o capim vai ficando seco e as noites cada vez mais frias, podendo mesmo ver-se em algumas o casiões o vermelho das chamas das imensas fogueiras recortadas no horizonte.
Nas estradas que ligam os diferentes pontos do pais à capital, muitos saõ os motoristas que se queixam do fumo que atrapalha a visibilidade e retarda a viagem, como se não soubessem que todos os anos por esta altura se fazem as queimadas, hábito esse nocivo as terras aráveis, muitas vezes criticado , não só pelos agronomos, como pelos ambientalistas. Mas o povo por hábito herdado dos seus ancestrais mantém, teimosamente essa prática, alheio aos males que isso pr provoca. Misturam-se no ambiente, o fumo, as cinzas e o pó das estradas sem asfalto, levando pela borracha dos pneus dos enormes camiões, que transitam na estrada que liga Alto Dondo a Capanda. È a época em que os hospitais e os centros médicos se enchem de mães aflitas pelos problemas respiratórios que as crianças, sobretudo as de colo apresentam, muitas destas crianças são vítimas dos fogos que os seus próprios pais largam ao mato com a alegação da preparação para o ano agrícola e para o aprovisionamento de carne, sobretudo a de animais que caçam.
Nos mercados rurais de alguns centro populacionais, e nas bermas das estradas pode-se já ver a comercialização desta carne, fresca e defumada, carne essa de animias como o veado, a corsa,o macaco,a giboia,o javali, o nunce,a pacaça, a paca(roedor ),cambuije(jimbuije), sengue(lagardo grande) aricombe(da familia dos gatos) que possui uma glândula que segrega um líquido horrivelmente mal cheiroso, arma que usa para demover os persiguidores dos seus intentos.
Nas bermas das estradas vêm-se algumas mulheres com bacias de plástico a cabeça, os filhos amarrados as costas , sustentados por panos garridos, levando nas mãos a tradicional enxada. O gingar dos corpos magros de pernas finas , pés descalços e de dedos cujas unhas se confundem com a negritude da sua pele, pisam de forma vigorosa o pó da estrada, vencendo a distancia que as separa da lavra que é o seu destino.Nas costas a criança adormecida bamboleia a cabecita de um lado para o outro ao compasso do passo estugado da mãe. Caminham em fila indiana. Atrás da mãe seguem mais duas crianças com idades entre os 5 e os 10 anos, um rapaz e uma rapariga, sendo a rapariga mais nova,que transporta a cabeça uma pequena trouxa de pano,chamado do Congo, onde se pode ver o cabo de uma catana e uma panela de lumínio de fundo preto pela esposição ao fogo de lenha, o varão leva tambem a cabeça um recipiente amarelo com tampa vermelha, contendo seguramente, petróleo para a iluminação. Os passos curtos das crianças, são rápidos e determinados para não se distanciarem da mãe. Nos olhos vivos de cada um deles nota-se o vigor e a força interior que os move. Na pele negra nota-se os efeitos do tempo seco, porque seca esta também a sua pele. As roupas rasgadas testemunham bem a pobreza dos seus progenitores. Os pequinos pés descalços fendem o pó e levam uma nuvem de pó a cada passada, acompanhada com o incessante vai e vem dos magros bracitos.São estes caminhantes de vez enquando brindados com nuvens densas de pó vermelho da estrada sem asfalto, levantada pelos veiculos que transitam de um lado para o outro. Dentro de um desses veículos vou eu e uma profunda onda de condoimento invade-me,diminuo a marcha do veículo e olho atentamente para aqueles seres, inocentes, desprotegidos, uma das crianças acena-me num gesto de simpatia, da sua mãozinha e um sorriso aberto brota dos lábios secos em sinal de satisfação pela correspondência do aceno.
-Algum problema Chefe?-pergunta-me o Luís, o meu colaborador que sentado ao meu lado, leva sobre os joelhos um amontoado de papeis para o escritório, quando se apercebe do abrandar do carro, julgando-se tratar de alguma avaria mecânica.
Meus olhos desviam-se e meus pensamentos tambem.Viro-me e encaro o rosto redondo do Luis fixando-me com olhar inquiridor.
Não lhe respondo,mas o meu suspiro e o menear da cabeça de um lado para o outro, levam Luís a soltar um grunhido tipico destas gentes de cá desta nossa terra. Larga um muxoxo e segura nos papeis que tem sobre os joelhos. Para trás ficou aquela familia que seguia em busca da vida, e nós seguimos a nossa…

Alto Dondo 08-07-2011.
Alvaro Silva.
(Espontaneo, sem correcções, aberto a críticas)

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