Publicado por: Filomena Barata | Julho 5, 2011

José Jacinto, Samba enredo

Fotografia Filomena Barata, Angola 2010

José Jacinto
Meus amigos, vou-vos dar uma prenda. Que presunção! Mas ninguém pediu nada. Não importa. Eu quero dar. Ou melhor, ela antes estava embrulhada num Livro: MEU BAIRRO ERA AZUL”, que “esgotou”. O que ficou foi a sua mensagem. A transmissão da Homenagem e declaração de amor à minha Terra: Malanje, e isso eu só posso passar agora desta form…a. Vai levar algum tempo a desembrulhar, mas espero que esperem até ao fim. Começa assim:

O que está escrito refere-se à minha infância e adolescência vividas em Malanje, onde nasci em 18 de Outubro de 1960 e permaneci até Junho de 1975.

Desde finais de 2000 até Abril de 2002, fui registando em verso as recordações que ainda guardava desse tempo.

Umas dizem respeito a “Alguma da Minha Gente”: pessoas que foram e ainda são importantes na minha vida, meus pais, minha irmã, meus tios e primos, meus vizinhos e alguns amigos.

Outras têm a ver com o “Meu Mundo”, em que refiro a minha Casa, a minha Rua, a minha Escola, desde a “Infantil” até ao “Liceu”, os Escuteiros, a Mocidade Portuguesa e as brincadeiras e divertimentos.Todos os episódios foram por mim vividos, havendo alguns contados por meu Pai.

Depois decidi dar “Uma Volta pela minha Cidade”, aquela que ainda guardava na minha memória passados todos estes anos: as suas ruas, os seus estabelecimentos comerciais, os seus jardins, os seus parques, escolas, etc.

Faço então um “Intervalo”, porque a Guerra tinha chegado e……. acabo referindo a minha Saída e a maneira como me sinto aqui, longe de Malanje.

Tudo começou numa noite em que ouvia o Fado,
numa canção de saudade.
De repente, também a minha saudade veio ao de cima
e no mesmo repente me apeteceu cantá-la……
………………….
E então, peguei no mapa da minha Infância
e comprei dois bilhetes para viajar
a bordo da minha memória
e fui embora,
sentado ao pé da minha Saudade.
O Piloto é a criança que deixei em Malanje.
Chama-se Zé Django.
Olhei pelas janelas da minha mente
e vi um Céu sem nuvens,
mas com lembranças:
umas juntas, outras separadas.E à medida que cada lembrança
passava por mim,
comecei a fazer o registo
desta viagem que fiz de volta à infância,
assim de repente…naturalmente.
…………………………..

Comuniquei-as primeiro aos “meus”
e depois perante o lido
deram-me mais conhecimentos
sobre esse tempo antigo.
E acrescentei-os ao meu registo.
Só depois, face “ao escrito”,
resolvi ordená-lo.
Tudo o que está aqui
eu o ouvi
ou vivi.
“Deshipocritamente”
não havia inicialmente
qualquer pretensão de escrever um livro.
Nada mais deve ser do que um registo .
Usei as quadras talvez influenciado pelo facto de nessa altura estar a ler António Aleixo, poeta que admiro muito.
E uma vez ao lembrar-me da minha Terra deu-me para escrever o seguinte:

“Angola, agora ouço o fado,
mas o meu coração
está perto de uma Mangueira
que da rua está do outro lado.”

Depois fiz mais algumas tentativas e reparei que as minhas recordações até ficavam bem
registadas desta forma.
E assim ficou.

Mas isto
apenas deve ser visto
como…….

“a minha infância embalada na verdade
duma rima de saudade ,
e as minhas memórias cruzadas,
numa escrita de palavras rimadas.”

E se um dia
For cantado,
Ouvir-se-á um Merengue guardado
Dentro de um Blues
Ou de um Fado.

Ou quem sabe num Rap.
E se for num Samba, será Samba Enredo .

José Manuel da Cruz Vaz Jacinto

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