Publicado por: Filomena Barata | Maio 28, 2011

Álvaro Silva, uma carta

Mulher, Fotografia de Paulo Percheiro

Alvaro Silva
Meus Amigos.

Hoje acordei com vontade de escrever alguma coisa. E é, precisamente isso que vou tentar fazer aqui neste preciso momento, isto depois de um sonoro bom dia por mim distribuído a empregadas que me atendem e de lhes ter arrancado um sorriso de satisfação pelo tratamento que sempre lhes dedico, pois merecem e para mim não há coisa mais linda que o sorriso de uma criança e o riso em rosto de mulher, pois é sempre prenúncio de um bom dia.
Hoje, Aqui no Alto Dondo esta um dia de sol radioso. Um brisa seca e fresca anuncia já a estação seca, o nosso CACIMBO e arrasta consigo os fumos das queimadas para horizontes longínquos, pelo caminho vão ficando as cinzas do capim queimado, que incomodam as lavadeiras do rio Cuanza e as donas de casa, pois sujam-lhes as roupas estendidas na erva da margem do rio, próximo do lugar onde lavam.
Com as queimadas, inicia-se também a época da caça, embora o capim ainda esteja alto e verde, mas os miúdos, em tempo de férias, munidos de fisgas , com os bolsos abarrotados de pedras, largam fogo ao capim para caçarem os tão apreciados ratos do mato.
No céu azul, limpo de nuvens, vê-se um ténue película branca do fumo, mais ao longe do lugar onde estou, ouço o cantar de uma rola e mais lá no alto o majestoso e silencioso voo de uma ave de rapina, um gavião? uma bemba?
O barulho dos escapes dos camiões cisternas de combustível, com destino as Terras do Leste, chamam-me para a outra realidade.
A realidade do dever a cumprir.
Salto para detrás do volante da minha carrinha Ford F250, ligo o pontente motor de 8 cílindros diesel e o ronronar do motor a aquecer é misturado com o som melancólico, das guitarras portuguesas e a voz agrável da Amália Rodrigues no conhecidíssimo, Fado POVO QUE LAVAS NO RIO, invade-me os ouvidos e uma onda fugaz de melancolia imunda-me a alma. Afasto da minha mente este sentimento de saudade dos meus, na longíngua terra distante dos meus antepassados.
Minha mão move-se em direcção a manete das mudanças e posiciono-a no D. Solto e travão de mão e parto….

Alto Dondo 27-05-11

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