Publicado por: Filomena Barata | Maio 16, 2011

Filomena Barata, Conhece Pax Iulia (Beja, no actual Alentejo, Portugal)?

Sabia que a construção do que hoje se denomina Museu Distrital de Beja se deve a D. Beatriz, conhecida como “Rainha Velha”, ao que parece alcunha dada por Gil Vicente ? … Neta, mãe e sogra de reis, nunca foi rainha. Mas, mesmo assim, foi mulher de grandes posses e poder, tendo mesmo estado à frente dos destinos do Mestrado da Ordem de Cristo e foi agente directa da Epopeia dos Descobrimentos, tendo colaborado activamente com D. João II. Para melhor conhecer esta personagem, leia a excelente obra de Fina d’Armada «O Segredo da Rainha Velha». Fotografia: Janela onde (reza a história) séculos mais tarde Soror Mariana Alcoforado olhava a planície alentejana e onde se inspirava para escrever as suas célebres «Cartas Portuguesas».

Imagens: Migas de espargos e de espinafres Capitel de origem romana de Pax Iulia,
 
 
 
Capitel do Museu Distrital Rainha D. Leonor
 
 
Aí sim, onde hoje é Beja, parece terem os Romanos encontrado povos anteriores, apesar do nome que tinha a urbs latina, indiciando orgulhosamente fundação de raiz romana. Mas não, pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro Continental parecem comprovar que ali existiu povoamento precedente ao Romano. No entanto, os capitéis de dimensão colossal, pertencentes a um templo, que vergam qualquer habitante de época anterior ao jugo da Roma Imperial.
Mas dela, esbatido o Império, ficará a memória de um Mediterrâneo uno, sob o olhar do Cristianismo inicial, que no núcleo visigótico da Igreja de Santo Amaro tem os seus melhores testemunhos. Al-Mu Tamid, nado em Beja e senhor de Sevilha, fará, em período islâmico, da sua cidade motivo de versejar. Mas, no século XII, Beja verga-se a um novo Senhor, e o Mundo Cristão imperará de novo. Santa Maria (da Feira), entre outos lugares de culto cristão da Reconquista, cantará a vitória sobre o universo “mouro”. D. Dinis proclamará, na torre do castelo, a visibilidade de um novo poder, sobre a seara onde dizem que se consegue imaginar o mar, criando-o sobre os barros que, já outrora, haviam sido o território vital, um novo olhar, um novo mundo do poder. Nos conventos imperará nova aristocracia e para ela, para a segunda dela, sem herança e sem decisão, porque era universo de mulheres, nascerá o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde Soror Mariana, uns séculos mais tarde, de uma janela olhando o vazio do amor que não retornará, escreverá as cartas imortais da sua paixão por um cavaleiro francês que a esqueceu.

Gostarei sempre de revisitar Beja, a cidade de todos os tempos, da Rua do Sembrano, onde a Susana me ensinou, um dia, a olhar os vestígios do tempo com outros olhos e os segredos que as pedras sabem contar.

E porque tantas saudades ainda a planura me faz…
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Responses

  1. Fina da Armada conhece alguma coisa de Beja? desde quando? e a história da rainha velha ter sido dona Beatriz é totalmente impossível. A construção do que hoje se denomina Museu Distrital (que nunca foi) de Beja deve-se a D. Beatriz ou às obras do final do século XIX que quase demoliram o antigo convento? Desde quando a janela inspirou as cartas de Mariana? Beja só verga o domínio islâmico a partir de 1234; no século XII perdeu-a logo.


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