Publicado por: Filomena Barata | Maio 10, 2011

Nguimba Angola

 
 
Nguimba Ngola

Em casa, esperava-me o pai. As fivelas do cinto marcaram-me dolorosamente. Meu mastro erguia a bandeira sanguinea da virgindade de Nefinha. O barulho dos pais dela enfureceu meu pai, opróbrio na roça. Não me esqueço daquela sova.
A casa da Mariquinha, minha vizinha linda, era a duzentos metros da nossa. O Bernas chegara na roça com a moça recém-casada, meu pai o empregara, bom funcionário o Bernas, dizia sempre na frente dele e com palmadinhas nas costas. Encontrei a vizinha a cuidar do marido que havia fumado liamba e entregara-se aos gritos de loucura. Ela me consolou. Tocou com suas mãos mágicas nas minhas costas e senti as feridas a sararem. Olhei para os dois arredondados seios presos numa vermelha soutien. A toalha que trazia caia livre e desnudando o paraíso nas partes baixas do corpo dela.
– Vem meu pecado.
Não resisti ao chamado.
– Me leva para o céu meu anjo pecador. A liamba desse ai e as bebedeiras incuráveis retiram-lhe a pujança. Vem e arrebata-me.
Neste interim entra meu pai que também roubava doces momentos na vizinha Mariquinha. Não gostou de me ver lá deitado na esteira adornada de panos africanos lindos e mais ao lado uma bacia com água morna a exalar fragrâncias medicinais.
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