Publicado por: Filomena Barata | Maio 9, 2011

Filomena Barata, Lá estava Évora no mesmo lugar!

Acabada de regressar do Alentejo, pensei:

Évora, efectivamente, é bela.

Como sempre reencontrei-a bela, mas quase intocável na sua beleza, tão e tanto, que lembra algumas mulheres lindíssimas que não se podem macular.

No subsolo de Évora pontua Roma e ainda há resíduos da altivez do seu império, que, ali, ao contrário de outros lugares, não parece ter encontrado o confronto de anteriores povoadores, pois, apesar a origem do topónimo parecer indiciar uma ocupação anterior, ainda não foi confirmada arqueologicamente.

Na sua superfície ainda se sente também que ali esteve sediada a Inquisição, os conventos, enormes, impositivos e que relembram os alimentos reais: O Convento do Espinheiro, S. Bento de Castris e outros tantos mais.

E também aí vivem alguns seres cuja arqueologia do saber tornou distantes e frios: numa verdade “total”; numa palavra firme, de que, nos corredores do Palácio da Inquisição, ainda ressoa o eco.

E aí, sobrevive também, em clausura total, o silêncio de Cartuchos, reduto dos dias sem fim, sem palavra.

Mas no meio de Évora, em pleno coração desta extraordinária cidade, vivem também seres, a quem os céus bafejou com calor e sentimentos: esses, sim, é sempre muito bom reencontrar.

A eles, o meu até sempre. Até já.

Hoje o circuito que proponho para conhecer Évora é relativamente pequeno.

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Em primeiro lugar, visitar a Sé. Construída com a edificação da nacionalidade, com transformações um século depois, ao reinado de D. Afonso III, deve ter, provavelmente, no seu subsolo uma Igreja Visigótica e uma Mesquita.
A edificação espelha o gosto da época, românica, como se fora uma fortaleza medieval, e já gótica, pois a demora das obras a fizeram adaptar às novas linguagens arquitectónicas.

Dos seus construtores ficaram marcas ou siglas inscritas na pedra.

Zimbório da Sé de Évora

Aproveite também para conhecer o Palácio de Vimioso, onde funciona o Departamento de História da Universidade de Évora, relembrar as fachadas da Casa do Inquisidor, do Palácio da Inquisição, e rever aquele extraordinário Templo Romano dedicado ao culto imperial, que até como açougue já foi utilizado e onde, em alguns silhares, se pode ver a marcação feita para a sua edificação, o Jardim de Diana, a Casa Cadaval – “com a Torre das Cinco Quintas, parte integrante do castelo medieval” -, a Igreja dos Lóios, a Biblioteca Pública, e a Torre de Sertório.

Igreja dos Lóios.


 

Pode visitar ainda a Casa da Rua de Burgos, de onde algumas saudades guardo.
No interior da casa, pode ver-se desde vestígios desde a Época romana, a exemplo do troço da muralha tardo-romana e das casas com pinturas a fresco, até à época medieval e moderna, sobre os quais se edificou o Palácio.

À entrada uma pequena mostra de objectos arqueológicos encontrados nas escavações feitas quando das obras de beneficiação do imóvel, ajudam a compreender a ocupação daquele local  durante séculos.

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Se puder, vá também até ao edifício da Câmara Municipal de Évora e veja os belíssimos vestígios do laconicum dos balneários romanos aí encontrados.

Laconicum dos balneários de Évora.

Ou entre no Museu de Évora e vá conhecer in situ os que nos falam do grande Forum romano, no centro do qual se implantava o templo circundado com um espelho de água, provavelmente associado à Salus imperial.

Pormenores das colunas e capitéis do Templo de Évora.

 

 

 

Esse Museu de Évora que formalmente se constituiu com a Primeira República, mas que teve a sua origem nas colecções que Frei Manuel do Cenáculo, arcebispo de Évora, reuniu na Biblioteca Pública de Évora .

Parte das colecções foram trazidas de Beja, onde fora bispo.
Comece a visita ao Museu pela herança romana, entrando de costas para o templo imperial e forum , e, no interior do Museu, veja os vestígios dessa enorme praça pública romana e os restos de uma necrópole.
Olhe com atenção os vidros; as esculturas e os fragmentos escultóricos.
Perca-se por aí na primeira visita … que o restante para a próxima ficará.

Fotografia de Frei Manuel do Cenáculo, Biblioteca Pública de Évora.

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Para almoçar, se não puder ir ao Colégio do Espírito Santo, vá almoçar à Fundação Eugénio de Almeida, onde há sempre alguma boa exposição para ver.

Colégio do Espírito Santo.

Relembre-se que a Universidade de Évora, fundada em 1559 pelo Cardeal D. Henrique, futuro Rei de Portugal, a partir do Colégio do Espírito Santo, foi criada por bula do Papa Paulo IV, como Universidade do Espírito Santo e entregue à Companhia de Jesus, que a dirigiu durante dois séculos, sendo a Igreja do Espírito Santo a Matriz de muitas das Igrejas que os Jesuítas construíram pelo mundo.

Em 1759 foi encerrada por ordem do Marquês do Pombal, aquando da expulsão dos Jesuítas.

Após a criação, em 1973, do Instituto Universitário de Évora que aí se instalou, deu origem depois da sua extinção, em 1979, à nova Universidade de Évora.

Em 1973, foi criado o Instituto Universitário de Évora que viria a ser extinto em 1979, para dar lugar à nova Universidade de Évora.

Depois, nunca esqueça de ir à Praça do Giraldo e debaixo da arcaria fresca ver as pessoas passar.

Lá fora, já fora de muros, ou seja, dessas muralhas de todos os tempos, onde silhares mais recentes assentam sobre os da Romanidade,

Muralhas de Évora

Muralhas de Évora

fazendo como que a ponte com a cidade “nova”, sepenteia-se também imponente aqueduto da Água de Prata, construído entre 1531 e 1537 pelo arquitecto Francisco de Arruda, mas a que alguns autores reconhecem fundação romana.

Recomendo que de Évora traga, se ainda não os tem, quatro belos livros de companhia: Das Cercas dos Conventos Capuchos, de António Manuel Xavier e Tectos Barrocos em Évora de Magno Moraes Mello, editados pelo Centro de História de Arte da Universidade de Évora e também «Objectos Melancólicos. Évora» de Carmen Almeida, não esquecendo essa obra-prima «Évora, Património da Humanidade», com fotografias de Eduardo Gageiro e texto de José Saramago.

Para mais informação geral sobre Évora, recomendo a consulta de : www2.cm-evora.pt http://www.ippar.pt http://www.cultura-alentejo.pt


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