Publicado por: Filomena Barata | Abril 6, 2011

Filomena Barata, Pax Iulia hoje

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Imagens: Migas de espargos e de espinafres
Janela de Soror Mariana no Convento de Nossa Senhora da Conceição (actual Museu Distrital Rainha D. Leonor)
Capitel de origem romana de Pax Iulia, Museu Distrital Rainha D. Leonor

Aí sim, onde hoje é Beja, parece terem os Romanos encontrado povos anteriores, apesar do nome que tinha a urbs latina, indiciando orgulhosamente fundação de raiz romana.

Mas não, pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro Continental parecem comprovar que ali existiu povoamento precedente ao Romano.

No entanto, os capitéis de dimensão colossal, pertencentes a um templo, já do conhecimento de Abel Viana,
demonstram a gradiosidade dos edifícios públicos da capital de conventus romano e vergam qualquer habitante de época anterior ao jugo da Roma Imperial.

Actualmente está a ser escavado pela Doutora Conceição Lopes da Universidade de Coimbra, um outro templo no pátio do Conservatório de Beja.

Mas da cidade latina, esbatido o Império, ficará a memória de um Mediterrâneo uno, sob o olhar do Cristianismo inicial, que no núcleo visigótico da Igreja de Santo Amaro tem os seus melhores testemunhos.

Al-Mu Tamid, nado em Beja e senhor de Sevilha, fará, em período islâmico, da sua cidade motivo de versejar.

Mas, no século XII, Beja verga-se a um novo Senhor, e o Mundo Cristão imperará de novo. Santa Maria (da Feira), entre outros lugares de culto cristão da Reconquista, cantará a vitória sobre o universo “mouro”.

D. Dinis proclamará, na torre do castelo, a visibilidade de um novo poder, sobre a seara onde dizem que se consegue imaginar o mar, criando-o sobre os barros que, já outrora, haviam sido o território vital, um novo olhar, um novo mundo do poder.

Nos conventos imperará nova aristocracia e para ela, para a segunda dela, sem herança e sem decisão, porque era universo de mulheres, nascerá o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde Soror Mariana, uns séculos mais tarde, de uma janela olhando o vazio do amor que não retornará, escreverá as cartas imortais da sua paixão.

À Susana Correia que um dia me mostrou Beja e à Conceição Lopes que aí tem também escavado nos últimos anos.

Ao dia de hoje, que revisitei mentalmente esses lugares. E tantas saudades ainda a planura me faz.

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