Publicado por: Filomena Barata | Março 27, 2011

Rio Kuanza

É díficil ver-se tanta poesia numa prosa. Eu encontrei-a no livro do nosso adorado Padre Telmo ” O Lodo e as Estrelas “. Vejam quanta maravilha em cada palavra que lhe sai da alma.

O CUANZA

Das nascentes a Cambambe, o Cuanza tem fúrias de rápidos sucessivos. Jovem, nobre, altivo e turbulento, a transmitir às margens a música do seu ardor violento.
…A montante da barragem, abre-se a bocarra do túnel de desvio, que o estrangula. Então, esfacela-se em carne viva contra as paredes escuras e, na saída, atira-se como louco contra si mesmo. Esfarrapando-se em fragor, raiva, baba e fumo.
Depois de se desfazer nos últimos fios de espuma, tecidos no aperto do túnel, espraia-se como feliz, quem acabou uma tarefa. Fica dócil, parado, sonhador!
E assim vai até ao mar…
Lá depõe, todos os dias, as mensagens desta Angola toda feita de grandezas e mistérios, E logo, sai do mar, pelas planícies, ao regaço das montanhas.

Cambambe, 10 de Abril de 1960


Responses

  1. Quero saber mais

  2. http://www.caligrafias-iberes.over-blog.com


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