Publicado por: Filomena Barata | Março 22, 2011

Cristina Mendes, um testemunho

Cristina Mendes

Eu moro em Santa Iria da Azóia, que fica no Concelho de Loures a poucos quilómetros de Lisboa – Entre o Tejo e o Trancão. Uma vila que até meados dos anos 50 tinha características rurais e era atravessada por cinco ribeiras. Tinha em 1950 uma população que não chegava às 2000 pessoas . Hoje estará perto das 20000. A industria que se instalou nesta freguesia mudou a vida e a paisagem e a relação com a água. Hoje durante o dia vou partilhar na página algumas memórias e testemunhos da história da água nesta freguesia.
Legenda da Imagem abaixo ” Abastecimento de água na Freguesia de Santa Iria da Azóia por volta dos anos 50 do Século XX”
A Fotografia de cima era uma fonte pública abastecida por uma mina (esta fotografia data dos anos 70, altura em que já não havia o movimento de outros tempos); Situava-se entre Santa Iria (lugar) e Via Rara ( outro lugar da mesma freguesia). A qualidade da água desta fonte era reconhecida não só entre os moradores locais mas também dos da “Grande Lisboa” que aqui se deslocavam para vir buscar água em garrafões. Apesar da existência de outras fontes, esta tanto pelo caudal como pela qualidade da água era preferida pela população local.Os aguadeiros vinham, igualmente, aqui buscar água para matar a sede dos trabalhadores das salinas e para fornecimento de água às primeiras indústrias que se instalaram na freguesia . Servia também para os animais (Bois, mulas e burros) beberem água. Quando da construção do novo cemitério, e do aterro sanitário houve contaminação da água tornando-se imprópria para consumo. Com a construção da “IC2″ a fonte ” foi desviada” permanecendo apenas como um apontamento do que outrora fora. O local onde hoje se encontra deixou de ser de passagem; O que em tempos foi um lugar muito vivido e um ponto de sociabilidade morreu ( junto a esta fonte existiam também tanques onde as mulheres iam lavar roupa- mais tarde ponho imagens) .. . A imagem da esquerda era a bomba que retirava a água de um poço de Pirescoxe (outro lugar desta freguesia, também conhecido por Pirescouxe, Periscoche…) e que também se situava junto aos tanques públicos deste lugar. A Imagem da direita era a bomba que retirava também a água de um poço e situava-se no antigo “Rossio de Santa Iria”; o edifício que vêem na imagem é Sociedade 1º de Agosto https://www.facebook.com/siciedade1agosto?sk=info ; Um belíssimo edifício dos anos 30 do século XX, infelizmente entretanto alterado».
Ainda a propósito do abastecimento da água em Santa Iria da Azóia e de uma fonte referi uns tanques públicos onde as mulheres iam lavar a roupa. Os tanques ficavam adjacentes. Partilho aqui uma imagem de finais dos anos 90 ( autor João Ferreira) e uns versos que recolhi há alguns anos junto de uma antiga lavadeira – D. Alexandrina) . Publiquei originalmente esta imagem na “página do FB de Santa Iria”, onde se pretenderem podem ver as memórias que elas despertaram ( trabalho nas antigas salinas, namoros, banhos no Tejo…)-https://www.facebook.com/photo.php?fbid=128111070593751&set=o.113823935341029&theater

Versos às lavadeiras do ano de 1945

( autora D. Alexandrina/ mantive no geral a grafia e forma do texto original, que a autora me deu há uns anos; aproveito para agradecer publicamente a generosidade e manifestar, também, a minha homenagem às “lavadeira” de Santa Iria)

I
De madrugada fazem a alvorada
A mais apressada não sei quem é
Lá vai no tropele
Amélia Pimenta e
Etelvina Tarré.

II
Quando Amélia não vai
Diz assim a Etelvina
vou chamar a Cesaltina
e a Maria Assunção
diz a vizinha do lado
espera aí um bocado
que eu não tenho lampião

III
Vem do Bairro a Palmeirinha
a sua irmã Carolina
a Júlia do Pele e osso
lá vem a alprista e a filha

—–
Nota: O lampião era uma engenhosa iluminação portátil feita através de uma lata vazia de “ovomaltine” com petróleo e uma torcida.

Na imagem vê-se um tanque que acompanha a curva ao qual chamavam meia lua. Era a objecto de grande disputa por parte das lavadeiras por ser o maior.

Há cerca de 50 anos, Santa Iria de Azóia, uma vila a poucos quilómetros de Lisboa, ainda não tinha água canalizada. Na imagem além de de uma pequena nota com alguns dados sobre o assunto, podem ver na fotografia maior o “Canal Tejo” num troço que passa por esta localidade), e ao fundo a “casa do cantoneiro” (acho que era assim que se chamava), propriedade da então Companhia das Águas e que assegurava a habitação ao funcionário que na zona cuidava das estruturas. No lado esquerdo, numa fotografia a preto e branco, podem ver um chafariz, que enquanto a “água da companhia” não chegava a todas as habitações assegurava o fornecimento desta água às populações, substituindo as antigas fontes poços e minas que até aí eram a única forma de abastecimento.
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