Publicado por: Filomena Barata | Março 21, 2011

África, José Borralho

Cachoeira, Sumbe, Fotografia de Filomena Barata, Angola 2010

África
Começo
Onde quase tudo começou
Mulher amada
No horizonte de brumas
…Que docemente desaguas
Em leves espumas
As minhas mágoas.

Trajeto trôpego
Infestado de canibais
Que em nome de valores tais
Te fizeram cantar o negro fado
Descobrindo como é eloquente
Usar um chicote
Em vez da mente.

De repente alguém ousou…
Erguer embondeiros
Mudar a cor do destino
Emendar o pintor
Que te pintou.

E o tempo andou mil anos
Num só dia
Contados ao som do batuque
O humano a gazela o elefante o búfalo
Festejaram o fim da mortandade
Numa singela e elegante liberdade.

M’bwuana
Que alegria
Ver partir o passado
Nunca mais m’bwuana.

Sou árvore de novo rebento
Já podes florir pensamento
E fez-se uma luz ardente
Por todo o imenso continente

Enquanto caía o cacimbo
A hiena ria de dente afiado
Pronta a dilacerar-te nua
Arrancar-te-ia na penumbra da lua
O teu seio jovem de mamilo espetado.

Foi na noite dos chacais
Como sempre cobardes e brutais.

Minha mágoa ver de novo
Turvar a água
A ave a morrer no ovo
Esquadrões feitos multidões
Jazendo perecendo
Minha mágoa minha mágoa.

Hás-de levantar-te pujante
Brilhando no amanhecer
Do novo dia
Onde quase tudo está para fazer.

José Borralho

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