Publicado por: Filomena Barata | Março 19, 2011

Helena Fernandes, Pai

  • Publicado por Helena Fernandes
  • Se me conhecesseis havieis de conhecê-lo também

    Meu pai, meu regente, honro tua coragem
    MANUEL, bravura contra a ilicítude e hipocrisia.
    És um pouco puritano, autor das tuas convicções,
    na tua incessante luta contra a cobardia.
    Tu és escultor de escrúpulos e perfeições
    julgado, quando detentor de espírito irrascível
    por vezes intolerante e farisaico, ironia
    em matéria fé, és indolente voragem
    incrívelmente inteligente, sabedoria.
    És expansivo e visionário passível.

    Pai de mel, abelha silvestre, ninho, zangão
    envolto em polén de camomila, em vigília do alto do torreão.
    Pai de todos, de teus netos também, avoengo benemerente ,
    caritativo, és esperto cauteloso e previdente.
    Edificada por São João, ao primeiro papel de filha
    quem quer que sou, a meu pai me pareço.

    Do pai pacede o filho de toda a eternidade

    Pai, minha oração litúrgica, condescendente
    carácter exclusivo, essêncial, sapiente.
    As balizas da tua liberdade moral são um rio,
    tua individualidade de natureza consciente,
    não admites alguma ofensa ao teu brio.
    Pai, homem que me deste o ser, irreverente.
    Um dia deixas teu translato,
    pai de orfãs, benfeitor desvalido,relato
    da riqueza envergonhada, presente.

    O nosso primeiríssimo pai, Adão

    MANUEL vivias no paraíso, eras pai feliz, nos teus anseios
    comigo adormecias, incessantemente saciado de beijos.
    Pai, meu protector, oferias-me maçãs e cravos
    Caminhavas comigo de mão dada e, eu de olhos cerrados,
    etregava confiança, minha infantil inspiração.
    Diante de mim percorreste tua peregrinação
    África , tão glorioso caminho desbravaste,
    e toda a tua família num paquete embarcaste.

    Criador de mil intuições e coragem
    Escutura de ser circunpecto semblante,
    nunca renunciaste ao teu amor-próprio.
    Pai venero teu cabelo branco e pensamento brilhante,
    Meu pai, presente, meus avoengos miragem.
    Herdei vossos predicados, cinzeis de filho pródigo!

    Primeiro pai, divindade suprema, Goulart

    Nosso pai o viático, extrema unção
    Meu pai-de-arma libertino, razão.
    Meu pai-pátra protector e defensor da nação..
    Meu pai-das-queixas, meu pai da vida, Deus louvado.
    És um pai-dégua, solto do mundo, com bagas de loureiro coroado.

    Meus avoengos:
    LUIS, meus olhos não viste e de minha mão
    recebeste uma cesta de perfumados abrunhos.
    JOAQUIM, na carcomida pedra sentado soltavas abraços,
    e rebuçados, com meus incessantes beijos te deliciaste.
    Um quarto privado reservaste para nao trocarem tua netinha
    edificada, no Hospital de São João, freguesia de São João, no dia de São João.
    ALEXANDRE, um petiz deixou avoar uma pedra e desapareceste.
    Pai, velho, bisavó, manga rota não é desonra minha,
    avocaste a ti o Criador, com tão jovem vida o surpreendeste.

    “Filho és e pai serás , assim como fizeres, assim haverás”

    Quem quer que sou, a meu pai me pareço.
    MANUEL, que me viste parir no dia de São João,
    fogueiras de alecrim, águas fumo e fogo,
    imorredoura alegria, parto, dor, exaltação mereço!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: