Publicado por: Filomena Barata | Março 18, 2011

As doces mãos, Licínia Quitério

Licínia Quitério

AS DOCES MÃOS

As doces mãos da infância subitamente afloram
o tecido enrugado do dia a desmaiar.
Trazem consigo a tremura das bolas de sabão
a crescer, a crescer, a voar.
E o nosso corpo freme a assomar
à janela do tempo que foi mais que perfeito,
assim dizemos.
Não nos pertencem as doces mãos da infância.
Cavalgam nuvens coloridas,
nadam em águas claras,
colhem flores e risadas
e canções de embalar.
Por vezes voltam, num relâmpago,
a iluminar o nosso quarto escuro.
Por vezes não são mais do que a ternura
que pressentimos no dia a desmaiar.

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