Publicado por: Filomena Barata | Março 17, 2011

Eduardo White

Os olhos que durmo são um modo em torno do qual se aviva o drama. Esmaga-lhes o medo, a porta ruidosa de alguma tragédia. Abrem-se desde dentro como se chovessem sangue e uma pequena luz breve. Ficam imóveis e sopram do sono o que os en

Menino. Fotografia de João Stattmiller

sombrece. Visto o vazio de outras mobílias mais as minhas janelas para que os atropele. Choram enormes a nítida memória. Deduzo-os com algum repouso o que seria bom antes do assombro. Mas estranho, não recolhem e nem morrem. Os olhos. Não parece mas é deles que falo com uma indústria que os seque. Aquela realidade vê-se clara embora assim não o queiram eles. O homem e a rosa insistem que se não a adorne, que seja limpo o sono que descrevem. A vigília das palavras anui. Vive o sonho e nada escondas que a realidade não o pede, dizem-me. O sonho não se deslumbra nos seus resumos nem escurece as suas efíngies. Dorme, nada filtres que te doa, não esbranqueies o que te enegrece. Suspende o brusco. Rompe o bicho. E chora se te apetece. O drama cresce porque permanece.

Texto: Eduardo White
Foto: João Stattmiller

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