Publicado por: Filomena Barata | Março 4, 2011

HUÍLA

‎(À minha avó Ana Bettencout de Abreu, nascida em terras da Huíla )

Mukulucai (1)

Nas tardes soalheiras

de passeios vagarosos

e martelar sincopado

de ideias já cansadas

sentada no chão fresco

de mão em pala

protegendo o olhar

procurava entender

os sons da natureza

quando os degraus

se tornavam altos

e a dor se apressava

descobrindo a idade.

Ana Bettencourt

adubava a linguagem

que a terra cultivou

como a cacimba

de águas limpas

afinal o poço

que jorrava

no seu arimbo (2)

de cana – doce.

Seguindo no cair do dia

o balancear das muilas

antecipava um laleipo (3)

ao ruidoso bater

da porta do quintal.

Até amanhã Mukulucai.

(Graça Arrimar, Janelas de orvalho)

(1) A mais velha. Tratamento respeitoso para com as pessoas idosas
(2) Terra de cultivo
(3) Dorme bem, até amanhã

Cristo Rei, Lubango, Huíla, fotografia de António Barata

Cristo Rei, Lubango, Huíla, fotografia de António Barata

HUÍLA  CAPITAL: Lubango ÁREA: 78.879 km2 POPULAÇÃO: 2,6 milhões MUNICÍPIOS: Lubango, Chibia, Gambos, Humpata, Cacula, Quipungo, Matala,  Jamba, Cuvango, Chicomba, Chipindo, Caconda, Caluquembe e Quilengues CLIMA: tropical de altitude PRODUTOS PRINCIPAIS: agrícolas – cítricos, frutas, milho, feijão, soja, tabaco, batata, trigo;                                                                          minerais – ferro, ouro, caulino, água mineral; outros – pecuária DISTÂNCIAS EM KM: Luanda 1.015 – Namibe 225 INDICATIVO TEL.: 261.

HUÍLA « aeppea
aeppea.wordpress.com
CAPITAL: Lubango ÁREA: 78.879 km2 POPULAÇÃO: 2,6 milhões MUNICÍPIOS: Lubango, Chibia, Gambos, Humpata, Cacula, Quipungo, Matala, Jamba, Cuvango, Chicomba, Chipindo, Caconda, Caluquembe e Quilengues CLIMA: tropical de altitude PRODUTOS PRINCIPAIS: agrícolas – cítricos, frutas, milho, feijão, soja,

http://www.prof2000.pt/users/secjeste/arkidigi/sadabandeira01.htm
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João Stattmiller

Resumo do perfil Físico e Socioeconómico

A Huíla tem um perfil físico marcado por duas bacias hidrográficas e cinco grandes zonas agrícolas

Uma bacia hidrográfica – a do rio Cunene – domina largamente a província, ocupando quase dois terços da sua área. De regime permanente, mas muito variável, são enormes os caudais de cheia na época das chuvas e diminutos os caudais na estiagem, principalmente nos anos muito secos. O Cubango é outro grande rio que tem parte da sua bacia hidrográfica na província da Huíla. É um rio de regime permanente, mas com grandes variações de caudal ao longo do ano.

Em termos de potencialidades agrícolas, a província da Huíla pode-se dividir em cinco grandes zonas: Municípios do norte (Caluquembe, Caconda, Chicomba e Chipindo), onde a precipitação varia entre 900 e 1200 mm/ano, com distribuição bastante irregular; é a zona agrícola, típica do cultivo de milho; a zona da Matala, Quipungo, e parte noroeste da Jamba e Chibia, com 700 – 900 mm de chuva, é uma zona de actividade mista: agrícola e pastoril; encontra-se com variedade de cultivos: cereais diversos, trigo de regadio, hortaliças e etc; a zona do sul, Chibia, Gambos e parte sul dos municípios do Quipungo e Matala, com chuva inferior aos 700 mm, é essencialmente pastoril; a zona denominada “Terras Altas´´ da Huíla que inclui os municípios da Humpata, Lubango, Cacula e o norte da Chibia e, por último, o município de Quilengues e o noroeste da Cacula que pertencem à Zona agrícola 27.

O perfil demográfico é marcado por uma forte heterogeneidade etno-linguística e fortes movimentos migratórios e crescimento urbano

Em termos étnicos, a população da província da Huíla é bastante heterogénea pertencendo a seis grupos etnolinguísticos, designadamente, Nyaneca-Nkhumbi, Umbundo, Nganguela, Quioco, Herero e grupos não-Bantus. A população da província segundo o Departamento de Estatísticas do Governo provincial é estimada em 3.154.854 habitantes com 46 % habitando em áreas urbanizadas. Segundo dados divulgados pela OCHA em Setembro 2002 depois do fim do conflito armado, haveria cerca de 191 mil deslocados internos na província. As previsões do departamento de estatística do GEPE apontavam para 136 mil deslocados. Já o MINARS tinha um registo até ao terceiro trimestre de 2002 de 315,941 deslocados dos quais 71,149 assistidos.

A Administração pública local tem enfrentado dificuldades de implementação em alguns municípios por falta de recursos

A Huíla conta com 14 municípios e 65 comunas. Nos municípios do norte e nordeste da província, as administrações encontravam-se fragilizadas com as suas instalações apresentando um grau de destruição bastante acentuado e a maior parte dos mobiliários e equipamentos inoperantes. Principais constrangimentos ao exercício da função da administração local estão ligados às condições de acessibilidade ao território devido ao mau estado das estradas apesar de se terem registado algumas melhorias; há também o problema de minas em algumas vias interiores e a falta de instalações para os serviços e para residência dos responsáveis.

O orçamento da província é deficitário dependendo do Orçamento Geral do Estado (OGE). Apesar das receitas colectadas pelo tesouro provincial conhecerem significativos aumentos nos últimos anos, elas não cobrem o volume de despesas correntes (excepto os salários que são cobertos pelo Orçamento Geral do Estado). Na província há 5 bancos comerciais que na sua totalidade possuem 7 agências situadas no município do Lubango. Existem programas específicos para o desenvolvimento industrial e agro-pecuário financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Económico e Social (FDES), cujo impacto é ainda pouco significativo.

As actividades de desenvolvimento local têm estado a crescer em termos de parceiros e intervenções

O movimento associativo e empresarial da província é muito activo sendo constituído por 3 grandes associações principais. As intervenções de fomento rural são coordenadas pelas Estações de Desenvolvimento Agrário (EDAS), localizadas nos municípios da Humpata, Quipungo, Lubango, Chibia, Caconda, Caluquembe e Quilengues. As três primeiras foram objecto de reactivação e reabilitação recente. Há ainda o Gabinete de Desenvolvimento Agrário da Matala e a Estação Experimental da Humpata. Nenhuma dessas estruturas possuía um único técnico superior. Além disso há a presença do Fundo de Apoio Social (FAS) e do Programa de Apoio à Reconstrução (PAR) e o do Programa Agua para Todos que intervêm nos sectores de infra-estruturas, saneamento básico e águas e áreas de desenvolvimento social. Comparativamente ao passado, aumentou o número e protagonismo das organizações não governamentais nacionais na província. Elas estão presentes em quase todos os municípios e intervêm em vários sectores da vida das populações vulneráveis, com destaque para a saúde, educação, infra-estruturas, ajuda alimentar.

A despesa pública no sector social medido pelas despesas na saúde e educação tem estado a crescer nos últimos anos, situava-se em 60 % em 2001.

Não obstante o forte peso da despesa pública provincial na área da saúde e da educação os per capita da despesa com a saúde e a educação no período de 1997 a 2001 )os dados disponíveis para analise) situaram-se sempre em valores muito baixos: US$ 4.5 para a saúde e $US 11.9 para a educação. A proporção da despesa do orçamento geral provincial da educação com o pessoal tem sido elevada ao longo dos anos situando-se acima dos 85 %. Apartir do ano de 2001 verifica-se um forte incremento das despesas em bens e serviços e acima de tudo em investimentos. A proporção da despesa do orçamento geral provincial da saúde com o pessoal tem sido elevada ao longo dos anos, acima de 78 % declinando para 52 % em 2001 em que há um incremento de 33 % das despesas em bens e serviços com relação a 2000.

A província tem assistido a uma explosão escolar nos últimos anos.

O efectivo escolar matriculado em 2010 comparado com 1995 (51,209 alunos inscritos no ensino de base regular) cresceu 10 vezes. Estima-se que trinta e oito em cada 100 estudantes matriculados no I nível de ensino encontra-se em áreas urbanas. As perdas de estudantes no sistema de ensino são enormes pois de um efectivo de 517.975 mil que estão inscritos no ensino primário e I nível de ensino somente 8,7 % transitam para o II nível de ensino. Se por um lado este indicador mostra que de facto há graves problemas de eficácia do sistema em termos de elevadas taxas de abandono escolar e de reprovação (não disponibilizadas) também a proporção de crianças fora do sistema de ensino, problemática de acessibilidade ao ensino, é elevada.

A alocação actual de recursos no sector de saúde compromete o desenvolvimento do capital humano

Há uma cama de hospital para cada 2320 habitantes, um enfermeiro para cada 1,755 habitantes, um médico para cada 29 mil habitantes. A situação a nível rural é muito pior em termos destes indicadores.

A agricultura, pecuária e agro-indústria são os pilares da economia local

A situação agrícola na Província da Huíla caracteriza-se por um sector privado de fraco desempenho, que teve dificuldades em manter os níveis de produção das unidades agrícolas após a independência, e um sector tradicional com baixos níveis de produtividade. A produção agrícola decaiu gravemente nos últimos 25 anos e a província tem dependido de importações e, no período da emergência, da assistência do PAM (Programa de Alimentação Mundial) para satisfazer a procura de cereais. No sector tradicional agrícola da província, calcula-se em cerca de 210,930 o número total de famílias camponesas, das quais 168,744 residentes e 42,186 deslocadas, cultivando uma área total de cerca de 244,538 ha. Na província da Huíla a principal cultura é o milho (58 % da área cultivada), seguida do massango e da massambala. Para além disso, cultivam-se batatas e vegetais em escala limitada, especialmente à volta das áreas urbanas e em terras irrigadas, perfazendo um total de 29,890 ha. O tamanho médio da propriedade (área em hectares) varia de 3 hectares de terra por família (Lubango), a 0,2 hectares de terra por família (Kuvango). A agricultura local é quase toda praticada em regime de sequeiro, exceptuando cerca de 22,000 hectares de área de regadio permanente. Há três grandes perímetros irrigáveis. Estima-se que o rebanho da província anda ao redor de: bovinos (1,200,000 animais); suínos (175,000 animais); caprinos (476,400 animais) e aves (100,000 animais) pertencentes maioritariamente ao sector tradicional.

A transmissibilidade na província tem vindo a melhorar mas ainda é um problema sério

Apesar da reabilitacão de algumas vias as estradas da província da Huíla estão em péssimas condições de transitabilidade, especialmente as do norte da província. No fim da guerra cerca de 400 km de estradas primárias e 630 km de estradas secundárias e terciárias necessitavam de uma reabilitação total.

Sistemas de água e saneamento são problemáticos

Na capital da província somente 10% da população tem acesso à água potável, enquanto que em toda a província a cobertura do sistema de distribuição é de 40%. Os principais constrangimentos são o estado avançado de degradação do equipamento e a falta de material de reposição.

Estima-se que apenas 25% da população da província dispõe do acesso aos poços rotos. O uso das latrinas unifamiliares têm recebido uma certa aderência, facto para o qual contribui o prjecto HUILA Sem Defecacao ao Ar Livre, apoiado pelo UNICEF, estimando-se que no município sede 40 % da população tem acesso a elas, enquanto nos restantes municípios a média situa-se nos 15% da população.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lubango

http://angolalubango.com.sapo.pt/historia.html

Uma foto histórica de uma cidade que que veio a tornar numa das mais belas de Angola.

Responses

  1. É preciso conhecer mais a Huíla so meram imagens do Lubango e outros muni. amigos?


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