Publicado por: Filomena Barata | Março 2, 2011

Sobre a História das Mulheres Portuguesas, com ênfase para as Republicanas, recomendamos a leitura ….

Data Título Autor(es)
Nov-2009 República Lousada, Isabel
Nov-2009 Adelaide Cabete Lousada, Isabel
2009 Adelaide Cabete: entre a eugénica e a eugenética na defesa da Res publica Lousada, Isabel
2010 Mary Wollstonecraft em Lisboa Lousada, Isabel; Góis, Manuela
Mar-2010 Ousar voar! Maria de Lourdes Braga de Sá Teixeira: vencendo a força da gravidade combate esteriótipos Lousada, Isabel
2010 Escola-Oficina N.º1 (1905-1930) Lousada, Isabel
2010 Palácio Maçónico Lousada, Isabel
20

2005 Revista de Estudos Anglo-Portugueses, n. 14, 2005 Sousa, Maria Leonor Machado de
Abr-2009 Em fazenda verde-rubras Lousada, Isabel
2010 Maria da Cunha Zorro Lousada, Isabel
2008 Reflexiones en torno a María Zambrano Lousada, Isabel
Abr-2009 International Expectations: ICW – Prelúdio para o CNMP Lousada, Isabel
Nov-2010 Feminismo en la voz de una periodista feminista. Virgínia Quaresma Lousada, Isabel
2008 Isabel Alçada Abreu, Ilda Soares de; Lousada, Isabel
2009 A Batalha de Adelaide Cabete em A Batalha – higienismo no feminino Lousada, Isabel
2008 Paula Moura Pinheiro Lousada, Isabel; Cantinho, Maria João
2008 Simone Schmidt Lousada, Isabel
Mai-2010 Carolina Beatriz Ângelo: Intersecções dos sentidos/palavras, actos e imagens Lousada, Isabel

10

República e republicanas Lousada, Isabel; Castro, Zília Osório de; Duarte, Cristina

 

 Isabel Lousada (ao centro)

Sobre uma dessas mulheres republicanas, Carolina Beatriz Angelo, deixou-nos um poema no Grupo do Facebook  Zé Castro
CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

Carolina Beatriz Ângelo (1878-1911), uma das primeiras médicas portuguesas e uma das impulsionadoras do Movimento Feminista, foi a primeira que praticou cirurgia e a primeira mulher a votar em Portugal. O novo Hospital de Loures vai ter o seu nome. Aqui fica a minha homenagem.

( Nas Comemorações do Centenário da República ) – Poema publicado no catálogo da Exposição de Homenagem a Carolina Beatriz Ângelo, Intersecções dos sentidos, palavras, actos e imagens, Organização Dulce Helena Pires Borges, Museu da Guarda, 2010, p. 45. O poema foi precedido de um estudo de nossa autoria, intitulado Prolapsos Genitais — a Tese de Carolina, pp. 42-44.

Nada vou dizer das tuas mãos, Carolina,
nem das bandeiras que ascendem nos gestos
em que a decisão é uma faca cirúrgica
a preceder a noite, o ser, a jangada ilesa,
a ousadia de um voto.
Lutaste.
Contra as serpentes vazias, acorrentadas
no país das sombras.
Combateste. Por ti, pela luz, pelo corpo íntegro,
juntando, uma a uma, as letras do universo
que encerra a palavra MULHER.

Talvez não soubesses que a vida é a palavra
com que a poesia define a flor das algas.
Talvez não soubesse que o amor é uma lua
vermelha, a morte uma cisterna salgada,
mas sabias que, em teus braços,
havia uma pluma leve,
no teu peito, uma ave canora,
e, nos teus olhos, uma rosa incendiada.

Nada, pois, vou dizer das tuas mãos,
Carolina,
nem da liberdade que flutua nos teus dedos.
Da noite, fizeste dia, à raiz, deste futuro.
Não mais, em casa, sufoca a génese
de fêmeas entranhas que gera sementes
maduras.

O vento consigo traz um cemitério de palavras.
Na tua boca, cada pedra é um dilúvio,
onde terminam velhas guerras.

Quando as novas rotinas se instalam,
dourado é o útero da terra.
Nas casas, nas ruas, nos sofridos hospitais,
o espaço, outrora interdito,
engendra novas quimeras.

Nada vou dizer de ti, Carolina,
nem do silêncio que urge,
quando as fontes são bandeiras,
onde brilham o sangue e a seda,
em becos, outrora escondidos,
com janelas para a rua.

Nada vou dizer de ti, Carolina, porque o sol
te pronuncia,
desde os tempos mais agrestes.
Os fluidos do mar ecoam em tuas essências
brancas de gardénias e violeta.
A noite é todo o corpo, dizes,
até que uma lâmpada secreta e pura
tudo venha iluminar.
A noite é mais que o leite que os mamilos
bebem, de manhã.
A noite é mais que o redondel de exílio
que os homens conceberam.

E bebo, com temor, o medo que ainda vivem
as mulheres de agora, pisadas, maltratadas.
Usam burka, no Afgnanistão,
sem direitos, nem auxílio.
Suicidam-se pelo fogo.
Queimam, numa agonia atroz,
o desespero que as corrói,
na sua pátria de exílio.
Pelo pesadelo morrem, sem ter o direito
à face, ao corpo, nem aos poros arejados
que é preciso libertar,
na noite, carrossel de exílio,
na morte, jardim de delírio,
no mundo onde os serem temem viver
o coração é cinza negra
que não os deixa despertar.

Por isso, é na sombra, que os poemas
se escrevem,
nos muros, nas fendas, onde as rosas
se insinuam em dolorosas flores de papel,
em ecos a lembrar ritos, sendas, laços,
rios que inundam o sangue,
nós que alimentam e enlaçam.

Como lembrar-te, mulher, política,
cirurgiã?
Como dizer-te, pomba, gladíolo,
vislumbre de luz, em jardim secreto?
O canto é novo, sempre novo.
Por ele vivo.
A ele respondo.
As águas escrevem-me,
quando as aves flutuam na manhã.

(Maria do Sameiro Barroso)

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