Publicado por: Filomena Barata | Dezembro 18, 2009

>Amadeu Baptista: Obrigada. Será hoje meu o teu poema …

>

E sabíamos todos que a hora

era chegada e tudo em volta

escurecia,

e que, em Port-Aven,

era chegado o tempo da colheita

e os campos estavam todos amarelos.

E aconteceu que as mulheres da Bretanha

ajoelharam,

e vinha eu no caminho

e via a luz,

e os meus olhos cegaram para que visse

a roda do matírio

e o escárnio.

E aconteceu que as cores se saturaram,

e a paleta recebeu,

vindas do céu,

as cores

e eu enchi a tela de perguntas

e, pelo esplendor,

atirei-me ao chão

e em mim senti um som sombrio.

E vi, então, que as mulheres

choravam

e que os homens não se compadeciam

de quem sofria.

e tudo tinha um brilho

esplêndido,

um brilho sobrenatural,

à minha volta

E aconteceu que se ouviu cantar o galo

e que toda a terra se abriu para aquele brilho.

…………..

Amadeu Baptista, Paul Gaugin: O Cristo Amarelo

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Responses

  1. >este poema é tão lindo que é de ir às lágrimas. obrigada (a quem o escreveu) e a quem aqui o afixou :)beijo de bom fim de semana


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