Publicado por: Filomena Barata | Novembro 25, 2009

>Para acordar, um poema

>

Canção

Que saia a última estrela
da avareza da noite
e a esperança venha arder
venha arder no nosso peito

E saiam também os rios
da paciência da terra
É no mar que a aventura
tem as margens que merece

E saiam todos os sóis
que apodreceram no céu
dos que não quiseram ver
– mas que saiam de joelhos

E das mãos que saiam gestos
de pura transformação
Entre o real e o sonho
seremos nós a vertigem

Alexandre O´Neill, Poesias Completas

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