Publicado por: Filomena Barata | Novembro 18, 2009

>Deixem que fale a poesia …

>

O espaço indefinido é da noite par;

A luz é só ilhas nesse mar sem costa;

Mas noite é menos que luz em nosso pensar,

No valor que lhe damos tal como se mostra.

O mundo é silêncio. o som astros contém;

Vida é lagos mortos num ermo devastado;

Assim quando noite, silêncio e morte fazem

Nossso sentido, o infinito é alcançado.

Quando da cidade o sono sem lua então

Me acorda para um senso terrível de estar

Rente ao saber, me vem uma funda intuição

De poder, pela alma, a verdade captar;

Puséssemos despir as vestes do sentido

De termos luz, som e vida conhecido.

Fernando Pessoa, Poesia Inglesa II

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