Publicado por: Filomena Barata | Outubro 6, 2009

>Ele disse, ela disse, eles disseram … Afinal porque é importante ter pensamento histórico até para narrar as histórias pessoais?

>

A propósito do Centenário da Implantação da República, no próximo ano, inúmeras publicações, exposições e debates se têm realizado, anunciando essa efeméride, cuja comemoração se espera venha a tenha grande fulgor.

Independentemente do nosso posicionamento quanto à Implantação da República, que para aqui apenas é trazida a título exemplificativo, pois a outra questão me quero dedicar, que é o tempo necessário para que se possa fazer História, verifico com agrado, nesse caso específico, a maturidade de muitas das abordagens feitas, salientando aqui o belíssimo prefácio de António Reis no livro a que ontem aqui me referi, pois consegue, de forma breve e sucinta, explicar as motivações da Maçonaria ao aderir ao movimento republicano, que, à época, parecia ser mais consetâneo com os princípios maçónicos.

Mas, como dizia, o assunto que hoje me prende é outro, menos da História como disciplina, mas a necessidade de ter pensamento histórico na abordagem das “estórias” em geral.

Porque, em todas elas, é necessário tempo de maturação, de distanciamento suficiente, para que se possa analisar mais friamente fenómenos e fazer leituras dos acontecimentos.

A emocionalidade, um dos factores fundamentais do nosso crescimento, e mesmo da evolução do pensamento, porque sem ela não é possível o desejo nem a acção que nos faz querer continuar, é também, em muitas situações, “má conselheira”, porque tolhe o olhar, fixando-o, mesmo de forma inconsciente, no espaço individual das valorações.

Por isso, há que dar tempo ao tempo para se poder fazer uma história democrática, onde se possam cruzar olhares, sem cair, contudo, em relativismos ou sem querer lixiviar o que não se pode lixiviar, e não uma história que, enevoada ainda de choro, de grito ou de euforias, transforme a vida num palco de vencidos ou vencedores, de culpados e não culpados, de carrascos ou de vítimas ….

Assim é na História, outrossim nas “histórias” pessoais!
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