Publicado por: Filomena Barata | Setembro 18, 2009

Filomena Barata, Alvalade do Sado, Santiago do Cacém: o meu testemunho II (actualizado)

À minha filha.

Rumei a Alvalade do Sado, onde não ia há uns tempos.
Fui a convite da Junta de Freguesia que, em parceria com a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, organizou, em boa hora, uma exposição sobre a ocupação do território ao longo dos tempos, utilizando para o efeito a Igreja da Misericórdia, datada do século XVI, onde promoveu escavações arqueológicas e trabalhos de recuperação.

Mal acabada de chegar, parei o carro junto do Sado, essa “estrada fluvial” que foi veículo fundamental de trocas, até data recente, e que, alagando a terra, a fertiliza, permitindo que a água e a terra fossem, efectivamente, os grandes motivos de fixação das gentes.
Do Mesolítico existem vestígios, que nos remetem a essa relação mais estreita com o rio, onde as populações vão buscar os seus recursos alimentares, e, a partir das sociedades nómadas e agrícolas do Neolítico, mós e enxós falam-nos de uma terra que cedo domesticada, até aos nossos dias, com a presença dos grandes arrozais e consequente desenvolvimento das grandes obras hidráulicas para o regadio, efectuadas no século XX, fazem, sem dúvida a razão de ser das fixação das pessoas.
O rio, esse Sado, continuava a banhar a terra e a ser escoadouro dos seus produtos.

A presença romana marcou fortemente esta região e os vestígios de inúmeras uillae comprovam a sua vitalidade agrícola. Uma ponte de provável origem latina marcava as saídas do aglomerado urbano, apontando caminhos que bifurcavam para os lados de Aljustrel, onde as minas eram o grande recurso e também para o litoral.
Da presença árabe lhe ficou certamente o nome.
Pertenceu à Ordem de Santiago de Espada que na Matriz ainda conserva as insígnias.
Ao tempo de D. Manuel recebeu “Foral Novo”, em 1510, tendo-se erguido pelourinho que lhe conferia a autonomia concelhia finalmente perdida, no século XIX, a favor de Santiago do Cacém.

Por isso ainda se veio a denominar a Praça D. Manuel o que ainda é o centro da vila.
Ao que consta D. Miguel terá passado a sua última noite, antes de partir para o exílio, em Alvalade do Sado, tendo, contudo, a vila passado por fases diferenciadas de apoio quer aos Liberais, quer aos Absolutistas, como ainda se pode comprovar na sua toponímia.

Mas o que me fez parar não foi isso. … isso será para outra fase, num outro espaço.

O que me fez parar foi as recordações que para mim tem aquele lugar.

Respirei fundo e pensei: sim, a vida traz-nos sempre aos mesmos lugares, com a vantagem de os conseguirmos ver com outro olhar.
 
Hoje, quando cheguei a Alvalade, parei de novo e pensei: “se aqui sobrevivi e ainda tanto aprendi, porque não o farei agora e ainda muito melhor?”.

Entrei no carro e fui-me encontar com caras familiares, de há vinte anos, e sorri de ter a sorte de com elas ir (re)conhecer o que ali aprendi.

Fui também ver as escavações que o Rui Fragoso coordenou na Igreja da Misericórdia de Alvalade do Sado que amanhã poderão ser visitadas pelo público, bem como painéis de exposição e textos que havia que reler.
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Responses

  1. >Olá!Tenho a certeza de que não me conhece. Talvez conheça familiares meus de Alvalade! Não imagina como é bom ouvir (ler) falar sobre a terra dos meus pais, ver Alvalade desta prespectiva fá-la ser ainda mais diferente. Perdida no meio do Alentejo, longe de tudo, com uma vista linda sobre a várzea e, actualmente, sobre a 'auto-estrada' do comboio… belas recordações… tenho 32 anos e muitas aventuras vividas lá, naquela adolescência que não volta mais.Obrigada por falar de Alvalade.Um abraço

  2. >Por exemplo, agarrei no que me mandaste http://mulheresaoluar.blogspot.com/2009/03/proposito-do-dia-das-mulheres-o-meu.htmle onde é que eu o encontro? Vai-me sempre parar à mesma página! à mesma linda fotografia da menina quase pensativa a reflectir-se na vidraça! E à espera de um beijo!ZéP. S.: Pedi para visualizar antes de gravar e verifico que estava como se eu o tivesse escrito às 11:38! O teu relógio está com 8 hotas de atraso!


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