Publicado por: Filomena Barata | Junho 15, 2009

Filomena Barata, Ainda sobre a violência doméstica


Em 1999, foi aprovado em Conselho de Ministros de Portugal o I Plano Nacional contra a Violência Doméstica.
Reedito hoje este texto, exactamente porque tanto se fala de violência física, mas tantas vezes se omite a psicológica, quando, recorrente, é sermos confrontrados com cenários emocionais que agridem, tanto ou mais, do que os físicos.
Em que é mais difícil mensurar ou identificar o efeito causado que certas atitudes têm a nível emocional.

Que este dia, todos os dias, saibamos denunciar ou combater a violência, tenha o rosto que tiver: desrespeito, insulto, inferiorização, humilhação, mentira, ameaça, chantagem, coersão, agressão, espancamento.

E assim aproveitemos o dia para repensar melhor a vida, de igual para igual, tentando renunciar a todas as formas de violência ou de violentação, as que contra nós foram exercidas, mas, também, as que aprendemos a desenvolver como mecanismo de defesa à agressão, pois se as exercitarmos, também e rapidamente, passaremos de vítimas a carrascos, porque é tão simples ceder à revanche. E esse sentimento é de combater e não alimentar.

« Quando ouvimos falar em violência, fazemos, na maioria das vezes, correlação com o tipo de violência física e psíquica e raramente nos ocorre a agressão de cariz emocional, embora muitos de nós estejamos sujeitos à mencionada, ainda que de uma forma inconsciente. Mas, afinal, ‘O que é a violência emocional?’ – eis a questão de partida.

É sabido que nas relações amorosas, a probabilidade de ocorrência de qualquer tipo de violência é mais elevada que em outra espécie de relacionamento. Assim, a agressão emocional descreve-se pelas frequentes situações de rejeição, humilhação, manipulação, depreciação, discriminação, exclusão e sanção da vítima de ‘violência intrafamiliar’. Embora, este tipo de agressão não deixe marcas visíveis de agressão no corpo, carimba, indubitavelmente, a psiqué humana da vítima.
O agressor tenta, comumente, desencadear modos de acção desequilibrados, embora de uma forma ‘camuflada’ para criar um estado de satisfação, delicadeza e carinho consigo mesmo, movendo os elementos que o rodeiam em seu auxílio, ao mostrar indícios de qualquer tipo de doença que o esteja ou não a afectar ou problema semelhante, exigindo, dos outros, tolerância, respeito e um procedimento peculiar na forma como é abordado.
Para além disso, muitos agressores manipulam, emocionalmente, os agentes sociais que com ele estabelecem relações, fazendo com que estes o façam sentir culpado, inferiorizado, dependente e culpabilizado! Um jogo sujo, mas jamais despercebido!
».

cit a partir de: http://feministactual.blogspot.com/2008/01/um-jogo-sujo-mas-jamais-despercebido.html

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