Publicado por: Filomena Barata | Junho 10, 2009

E porque se aproxima o Dia de Portugal, que é também o Dia de Camões e das Comunidades, e também o dia Mundial dos Oceanos, aqui vos deixo um pouco do que Portugal deixou ao Mundo

Porque tantos mares descobrimos e daqui a pouco, também é dia deles, ofereço-vos este Atlântico distante, no Sul de Angola, onde Portugal também deixou um pouco de si.

Fotografia: Porto Amboim, Angola

Autora: Margarida Barata, a quem abraço fortemente, porque nela vejo a África que, tendo sido portuguesa, aprendeu, felizmente, a caminhar pelos seus pés.
A ela dedicarei o Dia de Portugal e das Comunidades, porque todos os dias nos continuamos a falar em Português.
A ela, pelo que Portugal de melhor deu ao Mundo.

«Oh, não me fujas! Assi nunca o breve
Tempo fuja de tua fermosura!
Que, só com refrear o passo leve,
Vencerás da Fortuna a força dura.
Que imperador, que exército se atreve
A quebrantar a fúria da ventura
Que, em quanto desejei, me vai seguindo?
O que tu só farás, não me fugindo.

«Pões-te da parte da desdita minha?
Fraqueza é dar ajuda ao mais potente.
Levas-me um coração que livre tinha?
Solta-mo, e correrás mais levemente.
Não te carrega essa alma tão mesquinha
Que, nesses fios de ouro reluzente,
Atada levas? Ou, despois de presa,
Lhe mudaste a ventura, e menos pesa?

«Nesta esperança te vou seguindo:
Que ou tu não sofrerás o peso dela,
Ou na virtude de teu gesto lindo
Lhe mudarás a triste e dura estrela!
E se lhe mudar, não vás fugindo,
Que Amor te ferirá, gentil donzela,
E tu me esperarás, se Amor te fere;
E se me esperas, não há mais que espere!»

Já não fugia a bela Ninfa tanto,
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas lhe dizia.
Volvendo o rosto, já sereno e santo,
Toda banhada em riso de alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.

Oh, que famintos beijos na floresta!
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo».
.
de Luís de Camões
in “Os Lusíadas” Canto IX, 79-83
.

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Responses

  1. >Sofia, através dela, com ela, tanto aprendi do que quer dizer "ter mundo" no sentido amplo. Pena tive de não poder dedicar hoje um pequeno texto a "outros mundos", onde se fala também Português: razões várias me demoveram, algumas das quais me fizeram seriamente pensar no em Portugal não gosto e na mesquinhez que ainda nos quer inibir de ser totais/frontais cá dentro. Por isso desisti. E ficou ela, com razões acrescidas,a minha imperatriz do Mundo.

  2. >Que beleza Filomena! O Amor de que falo 'e o que sinto quando vejo isto..


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