Publicado por: Filomena Barata | Novembro 20, 2008

>Ou o Poema Contínuo

>

põem-se as salas ordenadas no compasso
das figuras, também se estabelece a noite idiomática,
com poros furos, tupos, supuração
das tintas, pespontos rutilantes,
a lentidão tremenda dos aromas,
nem era luz primeiro, mas bateram
por entre as temperaturas,
vim quem ver, quem vir assim,
por climas climas climas, ora faiscando,
ora o frio se vestia,
os mapas a dizer todo o arco-voltaico,
um leque que o ouro penteava,
ramagens de álcool, nessa rede de sono onde o crânio,
escorre uma gota viva
de veneno, crepitam fungos, fogo alvo,
o espírito tem a lavoura da luz,
urdidas nos cimos, minas, graus centígrados,
e em baixo as massas tensas da sonolência,
com suas úlceras, centopeias bruscas,
saber o que se esquece em som,
então sobem as salas, ferventes, brancas
e o clima de Deus espancando de luz rara

Herberto Helder, Ou o Poema Contínuo

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