Publicado por: Filomena Barata | Outubro 5, 2008

Filomena Barata, Ainda a ti Cris, de novo, hoje – Às Mulheres Republicanas (reed.)

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Bem sei, bem sei que a bandeira não é a nossa, mas a que Delacroix pintou de França!
Mas rubra era também a bandeira.
E Mulher a República.

Pela história que gostaria de te poder contar de uma tia avó que dizia ter cedido a sua saia vermelha como bandeira aos Republicanos vitoriosos no Marquês de Pombal.
Infelizmente, quando somos demasiado novos, damos pouco valor às histórias que nos contam, porque a idade só nos permite pensar que os nossos são eternos. Que os vamos ouvir contar as mesmas histórias vezes sem fim.

Mas não! E com eles findam-se as histórias que, mais tarde, melhor gostaríamos de ter conhecido.

Apenas sei dizer que o marido, dono de uma sapataria na Baixa, pertencia à Carbonária, tendo participado dos preparativos da I República.

Que ela, não participando directamente, sabia quem tinha estado ou não nessas reuniões clandestinas, e que se dignava, já muito velhinha, ir ouvir falar o Oliveira Marques, rectificando algumas das suas afirmações.

Viúva, sentindo-se só, fez do Parque Mayer, onde travou amizades entre actores e actrizes, o seu segundo lugar.

Na família achavam-na excêntrica, sempre cheia de uma mão cheia de coisas para contar.
No entanto, era recebida em casa de uma avó muito mais conservadora, que, no fundo, ciosa de conhecer por via indirecta (pois o decoro não lhe permitia saber por experiência vivida), lhe dava ouvidos, para saber o que se passava por essa Lisboa de “vadios” e “homens sem governo” no Regime de Salazar.

Pena não te saber contar como ao Marquês de Pombal ela foi parar e como da saia escarlate se improvisou uma bandeira …

Mas é verdade, tens razão, as mulheres sairam também à rua para lutar … outras dormiram, dias a fio, em cima das munições, para as guardar.

Só que essa história serás tu a narrar.
Recomendo a leitura de João Esteves, publicada em:
http:www.aph.pt


Responses

  1. >de boca em boca… se vai construindo a memória (colectiva), dos e das avós, dos tios e tias-avós. também eu sempre ouvi as histórias sem as fixar muito bem.Certamente da tal saia escarlate se fez uma bandeira de bom pano🙂 Sobra-nos o teatro. Quem sabe? Agradeço muito essa história que partilhas comigo (e muitas/os mais). Obrigada. Bem hajas. cd


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