Publicado por: Filomena Barata | Junho 22, 2008

Da língua Portuguesa : Camões e Bocage

Publicado por Filomena Barata

 

 

O Mundo todo abarco e nada aperto

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao céu voando,
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís de Camões, Sonetos

 

O Adeus.

Suave habitação da minha amada,
das Graças, e de Amor! Feliz morada,
Onde as mãos da Ventura
C’roaram minha fé singela, e pura;
Onde inflamado exp´rimentou meu peito
Que há no mundo também prazer perfeito

(…)

Adeus, sócios fiéis: e tu, querida,
Cujos olhos nesta alma, à tua unida,
O primeiro empregaram
Amoroso farpão, que dispararam,
Abafa os tristes, cândidos suspiros,

Lisboa. Fotografia Filomena Barata

Com que me vibras perigosos tiros

(…) Bocage, Canções, Lello & Irmão Editores

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