Publicado por: Filomena Barata | Janeiro 23, 2008

Filomena Barata, Conhece o Campo Santana ou Mártires da Pátria em Lisboa?

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Hoje revisitei o bairro onde vivi quase vinte anos – o Campo Santana.

Dali Portugal assitiu a tanta coisa: às lutas fraticidas do século XIX e ao martírio de liberais que deu origem à denominação «Mártires da Pátria»; dos Paços da Rainha, onde vivera D. Catarina de Bragança, depois de viúva, no seu «Palácio Centeno», conta-se ter sido posteriormente “coito” de Carlota Joaquina, mãe protectora do Portugal miguelista; acolheram-se conventos medievais, escondidos numa Lisboa menos exposta e centralizada.

O Patriarcado ainda se esconde, altivo, da rua, mas, do lado de fora, não passa despercebido o poder espelhado no imóvel.

O Göethe Institut, onde a Alemanha fala de programas culturais.

A Galeria Momumental onde encontrava amigos meus e ……..

o Santo, Sousa Martins, onde até eu já rezei.

E o belo jardim, novecentista, que substituiu a praça de touros que aí existiu, com gradeamentos de ferro fundido que permitem marcar os desníveis entre o mesmo e as ruas que acedem à praça.

Do Jardim do Torel, altaneiro, espreita-se a Baixa, o Carmo, o rio e o mar.

E no imóvel hoje propriedade da Junta de Galicia há de tudo … e até se aprende a dançar como em Sevilha.

O Hospital dos Capuchos, abraçando o que foi o Palácio Melo, tem de frente uma pequena praça com um espelho de água. Por trás, sobe a rua que foi minha.

Da vista sobre o tejo e sobre o castelo não me esquecerei.

Amanhã voltarei a este mundo, retomando uma velha ideia que malogradamente se esboroou: fazer o retrato do meu bairro 24h, a partir de um pequeno café – o Pátria -que estava aberto todo o dia e onde, de noite, paravam taxistas e meninas da vida e, de madrugada, as avós iam ao pão.

Regressar-lhe-ei, limpando as nostalgias de um bairro que habitei.

Porque para mim, em Lisboa, um outro ciclo está a começar.

ET: lembrei-me, nem sei porquê,  que, no Alentejo, há Santana do Campo, onde uma igreja deu lugar a um templo romano e onde, nas ruas brancas, se respira um ar fresco e silencioso.


Responses

  1. Pelo menos, duas vezes por semana e durante quase 15 anos (73 a 88), tomava o meu café junto ao Campo de Santana.
    Agora, muito raramente por lá passo.
    Sempre admirei a luminosidade daquela zona.
    Beijos


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