Publicado por: Filomena Barata | Março 3, 2011

A província de Malanje

Mucari – Malange Fotografia Álvaro Silva

Estrada para Pungo Andongo – Malange.

Pundo Andongo fotografia de Álvaro Silva

MALANJE

CAPITAL: Malanje
ÁREA: 97.602 km2
POPULAÇÃO: 700.000
MUNICÍPIOS: 14 – Massango, Marimba, Kalandula, Caombo, Cunda Dia Baze,
Cacuso, Kiuaba Nzogi, Quela, Malanje, Caculama, Kangandala, Cambundj-Catembo, Luquembo, Quirima
CLIMA: tropical húmido
PRODUTOS PRINCIPAIS: agrícolas – algodão, tabaco, cana-de-açúcar, mandioca, arroz, milho, batata-doce, amendoim, feijão, girassol, banana, cítricos, maracujá, eucalipto, pinheiro; minerais – diamantes, fosfatos, urânio, calcário; outros – pecuária
DISTÂNCIAS EM KM: Luanda 423 – N’Dalatando 175
INDICATIVO TEL.: 2512.

Malanje > ArtesanatoA marimba (instrumento musical) é outra riqueza cultural originária do município de Calandula. Outros instrumentos musicais usados nesta região são o batuque, a puita, a marimba e o hungo.
Há importantes centros de artesanato nos municípios de Marimba, Quirima e Massango, onde se produz cestos, sofás, bonecos, peneiras, pilões, chapéus, pentes de pau e outros objectos feitos de palha, madeira e bambu.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_profilepage&v=oI8TX9AubBE

http://www.youtube.com/

MALANJE Em

Lito Martin

MALANJE – A Origem e datas importantes

ORIGEM do nome da cidade de Malanje

A Origem do nome da cidade

1ª versãoOs nomes das cidades africanas, com algumas excepções, são de origem africana, isto é, são puramente africanos, pertencendo a línguas africanas. Esses topónimos servem também para sublinhar a origem africana das aglomerações urbanas. Geralmente, resultam de uma má pronúncia de uma palavra africana por parte dos europeus devida a uma incompreensão no decurso dos primeiros contactos com os africanos.

Examinemos primeiramente o sentido etimológico da palavra Malanje no contexto do kimbundu antigo. As primeiras partições do termo mostram o seguinte:

MA-LANJI (as pedras) – MA-TADI (pedras) – DI-LANJI (a pedra) – DI-TADI (pedra) – HA-LANJI (nas pedras)

Nesta estrutura morfológica das palavras, distinguem-se três tipos de prefixos: “Ma-“, “Di-“ e “Ha-“ que são colocados prefixando a raiz “lanji”. O primeiro designa o plural “Ma-lanji = as pedras), o segundo o singular (Di-lanji = a pedra), enquanto o terceiro indica um locativo (Há-lanji = sobre a pedra), mas deve sublinhar-se que este terceiro sentido locativo “Ha” corresponde a um som frequentemente muito difícil de pronunciar pelos europeus, devido à sua entoação que deve provir do fundo da garganta retraindo as cordas vocais para produzir um “a” (Ha) suave que precede a palavra “lanji” que assim significará “sobre a pedra”. A pedra à qual se faz referência aqui não é uma pedra qualquer. Trata-se de pedras utilizadas para bater e moer tubérculos de mandioca secos ou milho para os transformar em farinha.

Muito antes da chegada dos portugueses, o rio Malanje chamava-se Kadianga (Carianga para os portugueses), como no-lo relata o reverendo pastor Santos Kaywala(*).Quando chegaram, os comerciantes portugueses e os exploradores atravessaram o rio em Kapopa, perto da actual “Padaria PARMA” (Padarias Reunidas de Malanje), onde a travessia se fazia facilmente passando sobre as pedras, pois, nessa época, ainda não havia nenhuma ponte. Uma vez do outro lado do rio, encontraram as mulheres que estavam a esmagar os tubérculos de mandioca sobre as pedras (Ma-lanji) e os portugueses perguntaram-lhes o nome do rio que tinham acabado de atravessar. Dado que elas não compreendiam a língua portuguesa, julgaram que os forasteiros lhes perguntavam o que era aquilo, ao que responderam prontamente: “Ma-lanji Ngana” (São pedras, Senhor), pensando adivinhar pela expressão e pelos gestos que os portugueses se interessavam pela sua tarefa.

(*) Santos Kaywala, reverendo pastor protestante da cidade de Malanje, entrevistado pelo Autor em Março de 1994.

(in “A Cidade de Malanje na História de Angola” de Egídio Sousa Santos, Editorial Nzila – 2005)

2ª versão

A cena passa-se sobre as margens do rio Malanje, ou seja, naquela época, o rio Kadianga (Carianga). Segundo os conhecimentos africanos, quando uma expedição portuguesa, composta por comerciantes e cientistas e dirigida por Rodrigues Graça (1843), chegou às margens daquele rio, terá encontrado mulheres a moer mandioca sobre as grandes pedras que aí estão.

Os portugueses teriam colocado a questão seguinte: “O que é que vocês estão a fazer?”. As mulheres, por seu turno, teriam respondido em kimbundu: “Twamuzuka anji o mikamba yetu um ndandji”, que significa: “Estamos (ainda) a moer mandioca”.

Esses europeus, que admiravam imenso o facto de encontrarem uma multidão de mulheres sentadas sobre aquelas grandes pedras, teriam ainda perguntado: “Então não há homens nesta terra?”. As mulheres teriam respondido novamente em kimbundu: “Mala hanji”, que significa literalmente em português: “Também há homens”.

Para tentarem fixar-se na região, os europeus enviaram emissários ao mwen’exi (soba, guardião, protector) para o prevenir de que eles ocupariam a região pela força no caso de os autóctones resistirem à sua instalação naquele planalto. Então o protector daquela área teria respondido: “Malaji?” (em português: “São malucos?”) e teria continuado a mostrar o seu espanto pronunciando em kimbundu as frases seguintes: “Eze, etu tu mala hanji ué!” que se traduz em português por “Nós também somos homens!” (*). Portanto é a partir dessa conversa com o senhor das terras de Malanje, que resulta a origem desse nome, designando igualmente o rio que aí corre.

(*) Versão comunicada ao Autor em 1995 por Simão Malowa, delegado para a Cultura na província de Malanje.

(in “A Cidade de Malanje na História de Angola” de Egídio Sousa Santos, Editorial Nzila – 2005

Datas Importantes

1852/53

Cerca de duzentos anos após a criação do Presídio de Pungo-Andongo ( 1671 ) para responder ao poder do comércio Jaga a partir de Cassanje, numa sanzala, naquilo que hoje é Malanje, o Soba aceitou a presença dos primeiros comerciantes com o estatuto de “moradores”. O reforço da presença portuguesa para este, foi também apoiada pela criação do Presídio de Calandula em 1838 e a deslocação de um destacamento militar para o Lombe em 1843.

1857

SUPLEMENTO AO N.º 597 DO BOLETIM OFICIAL DO GOVERNO GERAL DA PROVINCIA D’ANGOLA

QUINTA FEIRA 12 DE MARÇO DE 1857

GOVERNO GERAL

REPARTIÇÃO CIVIL

PORTARIA N.º 487 – O Governador Geral da Província de Angola em Conselho determina o seguinte:

Sendo repetidas as queixas das pessoas que fazem o commmercio entre Loanda e Cassange, por causa dos roubos que sofrem as caravanas além de Ambaca, no longo espaço que dali há até Cassange, sem autoridades nem força pública:

Sendo certo que o remédio para este mal só pode vir do estabelecimento daquellas autoridades, com a força necessária para manterem a segurança dos caminhos, e proverem ao serviço das caravanas, de modo tal que todas sejam escoltadas na ida e no regresso; resultando daqui também a vantagem de se tornarem regulares as epochas da partida e da chegada das remessas – como o commercio tanto o requer:

Merecendo as transacções com Cassange a maior attenção, pois que ellas absorvem a maior parte da importação, e fornecem quasi toda a exportação, que se fazem no porto de Loanda:

Convindo egualmente que se vão creando novos centros de população, sob as formas civilizadoras, entre as populações indígenas mais afastadas , a fim de promover o seu adiantamento, como no resto do paiz; e devendo resultar de tal creação, sobre o caminho de Ambaca a Cassange, o apoio de que esta ultima localidade muito carece:

Por todos estes motivos, tendo consultado as pessoas directamente interessadas, e ouvido o Conselho de Governo, hei por conveniente determinar o seguinte:

Artigo 1.º É creado um novo Presídio no logar denominado Malange, sobre a estrada de Ambaca a Cassange.

Art.º 2.º A jurisdição deste novo presídio terá por limites: para o lado de Ambaca, o rio Lutete: para o lado do Presídio do Duque de Bragança, os limites actuais da Divisão do Lombe, que fica pertencendo ao novo Presídio: para o lado do Presídio de Pungo-andongo, os limites da Divisão de Malange, que até agora era daquele Presídio: para o lado de Cassange, até Sanza.

Art.º 3º O Presidio de Malange constituirá um Concelho, dependente do Distrito Administrativo, e da circumscripção municipal do Golungo-alto .

Art.º 4º Haverá em Malange uma Companhia de Infantaria de Linha, conforme o plano que vae em seguida a esta Portaria; tendo as suas praças os mesmos vencimentos que tem as das outras Companhias de Linha do interior.

Art.º 5º Servirá de casco para esta Companhia, a Companhia móvel da Divisão do Lombe, que pertencia ao Presídio do Duque de Bragança.

Art.º 6º É especialmente destinada a Companhia de Linha de Malange, para dar escolta às caravanas de commercio entre Ambaca e Cassange, segundo o Regulamento que ao diante vae transcrito .

As Auctoridades e mais pessoas, a quem o conhecimento desta competir , assim o tenham intendido e cumpram.

Palácio do Governo em Loanda, 10 de Março de 1857. José Rodrigues Coelho do Amaral, Governador Geral.

1867/68

Malanje como sede do Concelho

1895 a 1921

Foi capital do Distrito Malanje-Lunda

1910

Chega a linha do Caminho de Ferro de Angola, iniciada em Luanda em 1895.

1933

É concedida a Malanje a categoria de Cidade

Bem diferente é a imagem da Malanje do anos 70, com cerca de trinta mil habitantes. Hoje, diz-se ter entre 200 mil e 300 mil. A título de curiosidade, de Leste a Oeste e de Norte a Sul são respectiva e aproximadamente 8Km e 5Km.

Fonte das imagens: Aida Freudenthal, José Manuel Fernandes e Maria de Lurdes Janeiro, Angola no século XIX – Cidades, Território e Arquitectura; João Loureiro, Memórias de Angola

Fotografia de Filomena Barata, 1974

Sabiam que quem viaja a Malange e visita as Pedras de Punguandongo, uns macissos graníticos que formam uma meseta da qual se tem uma visão fantástica de uma envolvente com alcance de mais de dois quilómetros, desconhece que:
- Foi neste planalto granítico que a raínha Ginga negociou o último lote de escravos com a comitiva portuguesa que se deslocou ao local para conhecê-la e trazer oferendas. Foi aí que ela provou, pela 1ª vez chá (!)
- Foi este planalto palco de grandes combates durante os 30 anos de guerra civil pois dele se controlava toda a região.
-Foi nele que muitos escravos se esconderam e para que outros soubessem que tinham estado lá, escondiam num monte de pedrinhas algo pessoal que só quem os conhecesse saberia identificar. Para os senhores dos escravos, o facto destes sistemáticamente desfazerem os montinhos à procura “não se sabe bem do quê”, era tido como um significado de pedidos de esperança por melhor vida em que cada desejo era representado por uma das pedrinhas.
De facto , ainda hoje, quem lá vai encontra os mesmos montes com as pedrinhas que, como não as há lá em cima, as pessoas crentes, desfazem uns e constroiem outros com pedidos pessoais que só eles sabem. É real vermos de duas vezes que lá formos, os montes não estarem no mesmo sítio!…mudam de lugar!……

FLASH
Quando eu era pequenino
Tinha um triciclo
Que se partiu
… No meio da minha infância.

A bicicleta o substituiu
Com a cor de capim
Mas o equilíbrio exigiu
Que eu caísse por fim.

Os passeios não contavam
A estrada era estacionamento…
A pedalada levava
Em velocidade imaginada
Até ao cruzamento,
onde às vezes nem dava para travar…
e derrapava
Um pouco antes de…
às vezes partir um braço….
Em Malanje.

‎”Casa do Gaiato” em Malange.

Responses

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